Política

Passos não volta a mexer nas pensões

Passos não volta a mexer nas pensões

Pedro Passos Coelho disse, esta sexta-feira, que não fará mais propostas para reformar a Segurança Social com base em mexidas nas pensões. Até 2015, ano de legislativas, eleições que se mostrou disposto a disputar.

Foram 40 minutos de discurso. PS, Tribunal Constitucional (TC) e Banco Espírito Santo, estes últimos nunca referidos diretamente, foram os alvos de Pedro Passos Coelho, líder do PSD e primeiro-ministro, que deixou uma promessa: não voltará a mexer nas pensões até o próximo ano, estando disposto a negociar com os socialistas uma solução para a falta de "sustentabilidade da Segurança Social".

"Está na altura de dizer ao PS que estamos disponíveis antes das eleições para firmar uma reforma da Segurança Social que tenha o contributo do PS, dado que este é um problema nacional", frisou, perante os cerca de 2600 militantes e simpatizantes que estiveram na festa do PSD no Pontal, em Quarteira.

O líder social-democrata garantiu que, até às próximas legislativas, o Governo não avançará com mais propostas para a reforma da Segurança Social e propôs: "Ganhe quem ganhar as eleições, a seguir a 2015 faremos a reforma da Segurança Social que pudermos acordar daqui até às eleições".

Dizendo que tudo fez para resolver o problema "grave", ouvindo até quem de matéria de constitucionalidade percebe, Passos salientou, numa alusão ao acórdão do TC conhecido anteontem que chumbou a Contribuição de Sustentabilidade, não perceber o conceito de "solidariedade e equidade" quando se trata de pôr nos mais jovens a resolução da Segurança Social. E repetiu : "O problema não é do Governo, é do País".

Num balanço dos três anos de Governo PSD/CDS-PP, o primeiro-ministro sublinhou que, quando assumiu funções, Portugal estava numa situação muito semelhante à que se viveu "em finais do século XIX", em bancarrota, evitada porque "houve uma Europa solidária, mesmo de países mais pobres" do que o nosso.

Como se nada fosse

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E responsabilizou o PS por não assumir que aumentou impostos (com o voto do PSD em 2010), deixando uma herança que não escolheu. Fez críticas por não ter conseguido o apoio da Oposição e por, "em tempo de adversidades e dificuldades", continuar a ver quem "pensa, fala e vive como se nada tivesse acontecido". José Sócrates era a figura deste "lamento".

A retoma económica foi também tema escolhido por Passos Coelho, lembrando que, apesar da "voragem mediática", o país não cresceu "o que precisavamos", mas no primeiro trimestre deste ano foi o que melhor se portou na União Europeia.

Referiu que o país tem a balança externa equilibrada, está a recuperar no desemprego (a taxa é agora de 14%) e converge "para o padrão de confiabilidade". Acredita que a forma de estar dos agentes económicas mudou e tornou-se menos fechada e mais competitiva, mas não chega para recuperar o emprego perdido. Passos já fala como candidato às legislativas.

Falta de ética entre políticos e negócios

Passos Coelho não resistiu a falar no BPN quando afirmou que a diferença entre a forma como se resolveu a crise deste banco e a do BES é que "o dinheiro dos contribuintes não servirá para pagar desvarios de bancos". E voltou a referir-se à falta de ética que existia, levando a que "se vivesse entre política e negócios", numa economia excessivamente dependente do crédito bancário . Diz o líder do PSD que prefere enfrentar as más críticas a varrer problemas para debaixo do tapete, pagando "com falta de ética", que garantia empréstimos, "até na CGD" a privilegiados.

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