Política

Passos recusa comparação da crise portuguesa com 1983/1985

Passos recusa comparação da crise portuguesa com 1983/1985

O primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira que na crise de 1983/85, aquando do anterior programa de resgate financeiro, "havia fome em Portugal, mas à séria", e que os atuais instrumentos de apoio social não permitem situações comparáveis.

As declarações de Pedro Passos Coelho foram proferidas na Assembleia da República, durante o debate quinzenal, depois de a deputada do PEV Heloísa Apolónia ter acusado o Governo de promover políticas que "alargam a pobreza" e que "vão aos paupérrimos".

"É muito triste quando a resposta do Governo passa pela abertura de mais cantinas sociais, isto tem uma causa clara, significa que há mais pessoas à busca de mais cantinas e nós não queremos isso, queremos que as pessoas por via dos seus rendimentos tenham acesso àquilo que é básico", afirmou a deputada ecologista.

Apolónia classificou as medidas de apoio social do Governo de "mini-respostas" que prolongam uma "lógica de pobreza em Portugal".

Por seu lado, o primeiro-ministro defendeu que o executivo PSD/CDS "cumpriu a sua missão" e tomou medidas para "prevenir que as consequências" da crise "fossem mais gravosas".

"O programa de ajustamento económico traz sempre durante a sua execução um problema de transição de regime que obriga a ter respostas prontas para o agravamento das condições sociais", referiu.

Passos Coelho evocou depois "a última crise" que Portugal viveu antes da atual, durante o Governo do Bloco Central, entre 1983 e 1985, para dizer que "nessa altura havia fome em Portugal".

"Mas à séria, à séria, senhora deputada", acrescentou o chefe do Governo.

O primeiro-ministro referiu que essa crise, em que Portugal também esteve sob assistência financeira, não teve "a dimensão" da atual e "não se pode comparar, porque os montantes (do programa) eram muito menores e os desequilíbrios (do país) também".

Passos Coelho sustentou que, atualmente, há "instrumentos que permitem nem sequer comparar" com a situação de crise vivida naquela época.