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Passos rejeita que o país se esteja "a afogar"

Passos rejeita que o país se esteja "a afogar"

O primeiro-ministro manteve, esta sexta-feira, que a economia portuguesa terá "uma inversão de ciclo no segundo trimestre" de 2013 e considerou que o país está "muito mais próximo" de voltar a "respirar com alívio" do que há um ano.

Durante o debate quinzenal no Parlamento, e após ter sido questionado pelo líder do BE, Francisco Louçã, Passos Coelho reiterou o que afirmara no discurso da Festa do Pontal, em agosto: "Disse que nós teríamos em 2013 um ano de estabilização e inversão do ciclo económico e mantenho aquilo que disse".

"Está de resto no contexto das previsões que foram acertadas com a 'troika' e foi comunicado pelo ministro das Finanças que haverá ainda contração da economia no primeiro trimestre e inversão de ciclo no segundo trimestre", acrescentou.

Louçã respondeu com ironia à garantia do chefe do Governo e defendeu que "não haverá inversão de ciclo nenhuma" no próximo ano. "O Governo prevê uma queda do PIB em 3% este ano e em 1% no próximo, talvez seja melhor fazermos um desenho para nos entendermos: imagine que Pedro está a nadar próximo da praia, atrapalha-se e mergulha três metros, vai começar a esbracejar para responder às dificuldades e mergulha mais um metro; conclusão de Passos Coelho: estamos a inverter o ciclo; perceção do povo: o homem afogou-se", declarou, provocando gargalhadas em várias bancadas.

No mesmo sentido, Louçã continuou a traçar um cenário arrasador em relação às previsões de Passos e acusou o primeiro-ministro de promover "um assalto" como nunca houve em Portugal.

"O senhor tem conta daquilo que quer tirar no próximo ano? 2700 milhões de euros de TSU para entregar ao bolso do patronato, mais 850 milhões de euros para descontos da Segurança Social na função pública, 1450 milhões de euros aos reformados, 540 milhões ao salário da função pública, 5500 milhões, nunca Portugal foi assaltado desta forma", criticou.

Já o chefe do Governo PSD/CDS-PP voltou a garantir que "o país está em dificuldades sérias e está a resolvê-las" e rejeitou que o país se esteja "a afogar".

"Se estivéssemos na sua imagem aquática a perder o pé e a afundarmo-nos não teríamos juros mais baixos e mais confiança do mercado, pelo contrário, estaríamos a ficar mais aflitos, a esbracejar, mas o que os nossos parceiros dizem é o contrário", acentuou Passos Coelho.

O primeiro-ministro disse querer transmitir "aos portugueses" que "não vai ser fácil" mas que o país está "muito mais próximo" de conseguir "respirar com alívio e com a cabeça bem fora água" do que "há um ano atrás".