Eleições Europeias 2014

Passos rejeita que tenha havido "crescimento anormal" de forças extremistas na UE

Passos rejeita que tenha havido "crescimento anormal" de forças extremistas na UE

O primeiro-ministro afirmou esta terça-feira que os resultados eleitorais devem ter "consequências na ação" da União Europeia, mas rejeitou que "tenha havido um crescimento anormal" de forças extremistas e eurocépticas, com exceção do Reino Unido e da França.

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, falava aos jornalistas em Bruxelas, no final de um jantar informal de chefes de Estado e de Governo para analisar os resultados das eleições europeias e discutir a próxima presidência da Comissão Europeia.

Passos considerou que "se se isolar o que se passou em França e no Reino Unido", a "observação de que houve um crescimento anormal dos movimentos antieuropeístas ou eurocépticos ou de extrema-direita" não se pode "extrair", sustentando que nesses dois casos há "uma explicação muito mais nacional do que europeu" para o fenómeno.

"Isso não significa, no entanto, que o projeto europeu não tenha de ser olhado com redobrado cuidado, porque se a Europa passou por um período de crise muito intensa é natural que os cidadãos se possam sentir mais distantes das instituições e dos seus governos, mas devo anotar que nos países sujeitos a intervenções mais duras, digamos assim, como foi o caso da Irlanda, de Portugal ou da Grécia, não assistimos a fenómenos de crescimento da extrema-direita, nem de movimentos antieuropeístas", declarou.

Pedro Passos Coelho apontou o caso do partido grego neonazi "Aurora Dourada", que "existe há já algum tempo e que teve uma expressão eleitoral que não pode ser negligenciável", mas rejeitou uma associação do seu crescimento eleitoral à crise que se vive na Grécia.

"Não me parece que isso possa ser extrapolado para o conjunto destes países como uma reação que resulta da austeridade, por outro lado, podem reparar que em alguns países nórdicos, em que programas desta natureza e medidas de austeridade não tiveram a relevância destes primeiros, aí sim apareceram movimentos a crescer um pouco, quer antieuropeus, quer de extrema-direita, e não foi com certeza em resultado de programas exigentes de austeridade que tenham criado um fenómeno de rejeição", afirmou.

Para o primeiro-ministro, a ligação entre o crescimento de forças extremistas e a austeridade é uma leitura simplista.

"Há outras leituras mais aprofundadas que têm de ser realizadas e que vão muito para além dessa ultrasimplificação de que a Europa pode estar em crise porque a extrema-direita ou a extrema-esquerda ou os movimentos eurocépticos tiveram uma grande expressão em resultado sobretudo do falhanço das políticas europeias".

Passos Coelho referiu ainda que "os partidos pró-europeus - PPE, PSE e Liberais - saíram no seu conjunto numa posição predominante" e "continuam em conjunto a ter mais de 450 eurodeputados, uma maioria de quase dois terços do Parlamento Europeu, o que é um resultado importante".

O governante português adiantou ainda que os líderes europeus discutiram as prioridades da União para os próximos anos: "Promoção do crescimento económico e a criação de emprego, reforço do mercado interno e de uma zona euro que garanta iguais condições de crescimento e segurança para cada um dos Estados-membros e dos cidadãos europeus"