Tecnoforma

Passos sugere que pode ter desagradado a "pessoas com alguma influência"

Passos sugere que pode ter desagradado a "pessoas com alguma influência"

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sugeriu, esta sexta-feira, que a forma como decide possa "desagradar" a "pessoas com alguma influência" e desafiou quem está por trás das acusações sobre os seus rendimentos a apresentar provas.

Na sua intervenção inicial no debate quinzenal, na Assembleia da República, Passos Coelho afirmou que é "uma pessoa remediada", mas que isso não o condiciona nas suas decisões: "Portanto, nunca na minha vida em lugares públicos ou de outra natureza exerci ou decidi senão de acordo com a minha consciência, mesmo que isso possa desagradar a algumas pessoas com alguma influência".

"Quero, no entanto, dizer ao parlamento que se é verdade, portanto, que as acusações que me fazem não têm fundamento, me é muito difícil apresentar elementos de prova e fotografias de rendimentos fantasmas que eu não tenho. Espero, portanto, que aqueles que sustentam as suas acusações o possam publicamente comprovar", acrescentou.

Passos Coelho referiu ter sido acusado de receber pagamentos "durante anos sem declarar" e "de compadrio, de influência, de falsificação de documentos", e reiterou que espera que essas acusações "possam ser comprovadas por quem as faz".

O primeiro-ministro assinalou que "os órgãos próprios não as comprovaram", numa alusão ao arquivamento do inquérito relativo à denúncia anónima que deu entrada na Procuradoria-Geral da República, segundo a qual teria recebido pagamentos do grupo Tecnoforma incompatíveis com o regime de exclusividade enquanto deputado.

Mais à frente, o chefe do executivo PSD/CDS-PP voltou a sugerir que "alguém importante" está a procurar incriminá-lo, a propósito do acesso da comunicação social a declarações suas de IRS.

"Hoje li num jornal que declarações de rendimentos, que são elementos de reserva pessoal a que as Finanças estão obrigadas a sigilo, terão sido acedidas por senhores jornalistas. Li e não acreditei", declarou Passos Coelho.

"A ideia de que existam declarações que eu não apresentei sequer aqui ao parlamento e a que senhores jornalistas tenham tido acesso, a acontecer, representa uma violação do Estado de direito e seguramente que alguma coisa não funciona bem quando alguém importante entende que é preciso fazer insinuações", considerou Passos Coelho, defendendo que isso deve ser motivo de reflexão, "quer se trate do atual primeiro-ministro, quer se trate de outro cidadão".

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