Política

Paulo Portas apela a "realismo consensual"

Paulo Portas apela a "realismo consensual"

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros apelou, esta sexta-feira, a um "realismo consensual" por parte do maior partido da oposição, enquanto o secretário-geral socialista criticou as posturas divergentes na coligação PSD/CDS-PP, no debate de urgência sobre a crise.

"A alternativa do PS não é a rotura com a missão externa [da troika]. Todas as negociações visam chegar a compromissos, aceites por ambas as partes. Temos diferenças que não me parecem irreconciliáveis", afirmou o também presidente do CDS-PP, Paulo Portas, pedindo aos partidos do arco da governação para se unirem em vez de "acentuar o que os divide".

Para Portas, "a boa escolha não é pôr tudo em causa, mas antes conciliar a confiança externa e a confiança interna, preservar os adquiridos da confiança externa e apostar na dinamização da confiança interna", sublinhando o grande trunfo de Portugal perante os parceiros da Europa: "a credibilidade" porque "o prémio a quem foi cumpridor não seria facilitado a um país que tivesse optado pela via da contestação permanente".

"Partido bom e partido mau"

António José Seguro, que no início do debate tinha apresentado cinco propostas na Assembleia da República na discussão convocada pelo PS sob o tema "Alternativa para a saída da crise" -, acusou a maioria de demonstrar "posições híbridas, como um polícia bom e um polícia mau", dizendo haver "um partido da coligação bom e outro mau".

"É preciso parar com as políticas de austeridade. Ficou aqui provado que o PS tem uma alternativa responsável para devolver confiança aos portugueses", reiterou Seguro.

O líder socialista disse que há uma "negação absoluta do PSD e uma negação relativa de alguns deputados do CDS e de membros do Governo" à necessidade de renegociação do programa de ajustamento e às propostas alternativas do PS, notando também "embaraço da maioria e do Governo ao intervir neste debate".

"O ministro dos Negócios Estrangeiros fez aqui uma crítica direta ao primeiro-ministro porque o primeiro-ministro, em Viena de Áustria, disse que o país está na direção correta e não é preciso alteração da trajetória. Ora, é um primeiro-ministro que não está no juízo perfeito, na opinião do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros", ironizou Seguro.

Portas tinha referido anteriormente no seu discurso que "só uma pessoa que não estiver no seu são juízo é que achará que está tudo bem", referindo-se à situação económica, financeira e social do país, às metas do programa de ajustamento e aos números conhecidos da recessão e desemprego.

O líder do CDS-PP defendeu "uma decisão política", tomada "no quadro da negociação política e técnica com a missão externa [da troika], reconhecendo que há "um excesso de reembolsos previstos para alguns dos próximos anos", a serem "repensados", além de não ser "exigível que o esforço se faça com a mesma velocidade".

"Procurar a redução estrutural da despesa sem que a variável tempo seja um dogma e com escolhas económico sociais ponderadas", sugerira Portas.