Política

Paulo Portas emociona-se com voto de pesar pela morte do irmão

Paulo Portas emociona-se com voto de pesar pela morte do irmão

Paulo Portas não conteve as lágrimas e sucumbiu à emoção durante a votação de um voto de pesar pelo falecimento do irmão Miguel Portas, eurodeputado do Bloco de Esquerda.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, irmão de Miguel Portas, assistiu, em representação da família, à leitura do voto de pesar.

Emocionado, chorou quando foi apresentado o voto de pesar pela morte do eurodeputado do BE, com o Parlamento a lembrar a "combatividade", o "respeito pelos outros" e a "inteligência" do eurodeputado do Bloco de Esquerda que "quis mudar o mundo".

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, referiu a presença de Paulo Portas nas galerias e, quebrando uma "certa ritualidade", endereçou os seus cumprimentos ao ministro dos Negócios Estrangeiros e à bancada do Bloco de Esquerda.

"Quem dedicou ao mundo uma vida inteira e no mundo teve consequência, ganha sempre uma espécie de imortalidade", declarou Assunção Esteves.

O voto de pesar, lido pelo líder da bancada do BE, Luís Fazenda, lembrou o "ativista pela democracia desde jovem", que "foi preso pela polícia política da ditadura quando tinha apenas 15 anos", "esteve nas manifestações de estudantes e partilhou as esperanças de tanta gente".

"Queria acabar com a guerra, terminar a ditadura e mudar o mundo. Viveu o 25 de Abril e quis sempre continuar esses valores solidários", declarou.

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O voto de pesar lembrou a militância de Miguel Portas no PCP entre 1974 e 1991 e a fundação do Bloco de Esquerda, da qual participou, tendo sido dirigente desde a primeira assembleia e o seu primeiro eurodeputado em 20004, reeleito em 2009.

Miguel Portas continuou a "exercer as suas funções em Bruxelas até aos seus últimos dias", encontrando-se nas últimas semanas a preparar o relatório do Parlamento Europeu sobre as contas do Banco Central Europeu.

A declaração do Parlamento recorda que foi economista por formação e jornalista "por vocação", fundou e dirigiu o jornal "Já" e a revista "Vida Mundial", integrou a redação da revista "Contraste" e foi editor de Cultura do jornal "Expresso".

Miguel Portas foi coautor e apresentador das séries documentais televisivas "Mar das Índias" e "Périplo" e autor dos livros "No labirinto", "Périplo" (com Cláudio Torres) e "E o resto é paisagem".

"O seu falecimento suscitou tomadas de posição do Presidente da República, do Governo, dos partidos políticos, da CCTP, de associações e de muitas personalidades, do Parlamento Europeu e de múltiplos partidos europeus e outros", afirmou Luís Fazenda.

"De todos os quadrantes políticos, estas mensagens realçaram o lado humano e a importância dos contributos de Miguel Portas para uma democracia mais intensa. São, assim, desmonstrações tanto da sua combatividade como do seu respeito pelos outros, que era uma das marcas distintivas do seu compromisso consigo próprio", declarou.

Os deputados lembraram ainda a "vida preenchida" com "emoção", "o fulgor da inteligência" e o "humor" de Miguel Portas, numa vida, que, nas palavras do próprio, citadas na declaração, 'valeu a pena' porque ajudou os outros.

Após a leitura do voto de pesar por Luís Fazenda, a Assembleia respeitou um minuto de silêncio em memória de Miguel Portas.

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