Governo

PCP diz que "tudo falhou" e o país "não pode esperar até 2015" por uma nova política

PCP diz que "tudo falhou" e o país "não pode esperar até 2015" por uma nova política

O secretário-geral do PCP afirmou, esta quinta-feira, que com o atual Governo "tudo falhou" e Portugal "não pode esperar até 2015" por uma nova política, sublinhando que há agora um "clamor de indignação e protesto" por todo o país"

"O Governo que hoje é confrontado com a nossa moção de censura é um Governo cada vez mais isolado, um Governo cada vez mais desacreditado aos olhos dos portugueses. Os portugueses afirmam-no todos os dias, enchendo as praças e as ruas deste país", sublinhou Jerónimo de Sousa, na abertura do debate no Parlamento das moções de censura ao Governo do PCP e do BE.

"O clamor de indignação e protesto que se ouve por todo o país é porque o país sente e vê que neste Governo a injustiça perpassa por todas as suas decisões" e por "já não haver sacrifício que possa encobrir a farsa do discurso da equidade nos sacrifícios", acrescentou.

O líder dos comunistas justificou por isso a moção de censura ao Governo, três meses depois de uma iniciativa idêntica por parte do PCP, porque a situação do país é agora "mais grave e mais dramática" e "tudo falhou" nos objetivos do Governo, mas também para dar "expressão à inequívoca censura popular que se alarga a todo o território nacional".

"É uma moção de censura ao Governo, mas é também uma moção de confiança na força e na luta dos trabalhadores e do povo e na política alternativa que o país exige", destacou, numa intervenção que acabou aplaudida de pé pela bancada comunista.

Insistindo várias vezes em que "há alternativa e há soluções", Jerónimo de Sousa defendeu que "o país precisa de uma outra política patriótica e de esquerda", que rompa com o memorando de entendimento assinado com os credores internacionais e a "política de direita de anos e anos" do PSD, CDS e PS.

As alternativas, acrescentou, passam por renegociar a dívida, mas não por "uma renegociação à grega, parcial e realizada por um poder submisso e comprometido com as opções e os interesses da especulação e dos que são responsáveis pela crise", que iria "esmagar o país com novas e mais duras exigências".

PUB

Para os comunistas, uma nova política passaria pela valorização da produção nacional, pela melhoria das condições de vida valorizando os rendimentos do trabalho, uma "efetiva justiça fiscal", a "reversão" do processo de privatizações ou a "reposição" dos direitos dos trabalhadores.

Jerónimo de Sousa reiterou, a este propósito, um "apelo" que o PCP tem feito: "a convergência de todos os democratas e patriotas, das forças e setores que verdadeiramente se disponham a assumir a rutura com a política de direita".

Acusando o Governo, mais do que uma vez, de ter como objetivo empobrecer os protugueses e "promover e acelerar a concentração da riqueza nas mãos de uns poucos", beneficiando sobretudo o capital e os grandes grupos económicos, considerou que com este Governo existe um "retrocesso" económico, social, cultural, de soberania e "do próprio regime democrático".

"Com este Governo do PSD e do CDS-PP é hoje muito evidente que não há luz ao fundo do túnel, nem sequer túnel", afirmou, acrescentando que com as medidas anunciadas na quinta-feira pelo ministro das finanças a "perspetiva é a da falência total" e o "próximo ano será ainda mais duro, dramático e brutal para os trabalhadores e o povo em geral".

Lembrando Almeida Garret, Jerónimo de Sousa perguntou ao Governo quantos pobres é que ainda precisa de produzir para criar mais um rico.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG