Política

Pizarro desafia Menezes na corrida à Câmara do Porto

Pizarro desafia Menezes na corrida à Câmara do Porto

O deputado do PS Manuel Pizarro será o candidato socialista à Câmara do Porto. A decisão ficou quarta-feira fechada, após uma conversa entre Pizarro e o líder do partido, António José Seguro. O anúncio oficial deverá ser feito na próxima segunda-feira.

Manuel Pizarro foi obrigado a usar a cintura para contornar os obstáculos que dentro partido foram sendo colocados à sua candidatura. Ao que o JN apurou, chegaram a ser equacionadas três hipóteses alternativas ao avanço de Pizarro.

A mais consistente - e que, por isso, mais discussão gerou no seio da distrital e da concelhia - foi a possibilidade de Francisco Assis ser de novo candidato à Câmara do Porto, com Manuel Pizarro como número dois do ex-líder parlamentar do PS. Assis, recorde-se, foi o candidato socialista à Câmara do Porto nas autárquicas de 2005, tendo perdido para Rui Rio. Pizarro, contudo, nunca aceitou tal solução. "Seria uma péssima solução para o partido", comenta um socialista que acompanhou de perto todo o processo. "Seria um regresso ao passado, quando o que o Porto precisa de soluções para o futuro", acrescenta outra fonte ouvida pelo JN.

Rui Moreira dá sinais

Os nomes de Fernando Gomes, antigo presidente da Câmara do Porto, e de Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto, também foram alvo de discussão dentro do partido.

A convicção de que seria preciso uma total unanimidade dentro do PS-Porto (facto por muitos considerado "impossível") para que a candidatura de Gomes pudesse vingar, por um lado, e, por outro lado, o receio de que o regresso do ex-autarca pudesse ser novamente mal interpretado pelo eleitorado do concelho (recorde-se que o PS perdeu a Câmara para o PSD quando Gomes se candidatou contra Rui Rio, após uma conturbada passagem pelo primeiro Governo de António Guterres) foram determinantes para afastar esta possibilidade.

Já Rui Moreira deu sinais de disponibilidade para fazer parte de "um projeto" (expressão usada por várias fontes contactadas pelo JN) alternativo ao de Menezes. O líder da ACP foi encarado como um nome capaz de captar eleitorado ao centro e à direita, fazendo assim o contraponto àquilo que muitos socialistas consideram ser a grande vantagem de Luís Filipe Menezes: a capacidade de entrar no eleitorado de esquerda.

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A candidatura de Manuel Pizarro acabou, contudo, por se impor, recebendo o beneplácito do presidente da distrital, José Luís Carneiro, e do secretário-geral, António José Seguro.

Ao que o JN apurou, a estratégia de Pizarro passa, agora, por tentar formar uma frente de esquerda capaz de dar combate a Menezes, que anteontem jantou em Gaia com Miguel Relvas, num claro sinal de que a direção nacional do partido apoia a candidatura de Menezes ao Porto. Numa entrevista recentemente concedida ao JN, João Semedo, dirigente do Bloco de Esquerda, foi claro, ao afirmar que o seu partido está disposto a entrar nesse movimento, caso "seja para ganhar as eleições". Tradução: caso o PCP decida também embarcar em tal projeto.

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