Política

Portas diz que país conquistou liberdade para aliviar impostos e fomentar economia

Portas diz que país conquistou liberdade para aliviar impostos e fomentar economia

O vice-primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que, após ter cumprido o programa de assistência financeira, Portugal tem condições de, "com os pés assentes na terra", adotar políticas de fomento económico e redução da carga fiscal.

Paulo Portas discursava num hotel de Lisboa, numa sessão evocativa dos antigos primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro e ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa, que morreram na queda de um avião em Camarate a 04 de dezembro de 1980, cerimónia em que esteve acompanhado pelo primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho.

Na sua intervenção, o líder centrista referiu-se à "memória magnífica da Aliança Democrática de 1979 e 1980" para dizer que coube ao PSD e ao CDS em 2011, "numa situação de emergência", responder "perante o país para o tirar de uma gravíssima crise de soberania e de autonomia".

"Não fomos nós que chamámos a troika, que fizemos o memorando, nem que atirámos o país para um precipício, mas o país é de todos e a nossa responsabilidade foi fazer um caminho, que envolveu certamente sacrifícios, mas que também contou com o sentido de compromisso social que os nossos partidos têm para procurar no momento contratualmente possível terminar o programa", afirmou Portas.

Na opinião de Paulo Portas, "nas circunstâncias em que o país estava, não havia Governo democrático e responsável que pudesse fazer coisa diferente ou alternativa" e, "três anos volvidos", é possível "uma recuperação substancial daquilo que parte dos pensionistas tinha perdido" ou "começar uma recuperação prudente, gradual, dos níveis de rendimento dos trabalhadores da Administração Pública".

"Os nossos problemas não estão todos resolvidos, mas conquistámos a liberdade de fazer algumas escolhas, desde que tenhamos os pés assentes na terra e que conciliemos a audácia com a imaginação, com o realismo e o bom senso", sustentou.

Neste contexto, o presidente do CDS-PP apontou a reforma do IRS como uma das mais importantes para "uma política fiscal mais amiga das famílias".

"Diria mesmo, senhor primeiro-ministro e presidente do PSD, que há um facto que já é inelutável, olhando as propostas do Governo e vendo as propostas do principal partido da oposição, há uma coisa que já conseguimos certamente, é que as famílias estejam no centro do debate fiscal, 25 anos depois da criação do IRS ainda vamos a tempo", afirmou.

Paulo Portas sublinhou que só é possível "que o salário mínimo melhore, que o rendimento dos pensionistas se recupere, que os trabalhadores da administração pública tenham um horizonte, que haja uma política de fomento do crescimento também por via fiscal e maior ajuda às famílias no sistema fiscal porque o país foi capaz de superar a emergência financeira em que se encontrava em 2011".

Na sua intervenção, Paulo Portas apontou ainda Sá Carneiro e Amaro da Costa como as duas maiores referências políticas, considerando que ambos "morreram ao serviço de uma ideia de Portugal".

"Não há dádiva mais extrema, do ponto de vista do serviço a uma ideia de Portugal, do que perder a vida como eles perderam. Quero, por isso, prestar o meu tributo e a minha homenagem a grandes portugueses, a homens de Estado, e dizer que, por mais anos que passem, é nosso dever como cidadãos, como democratas, nunca deixar de procurar as razões pelas quais eles perderam a sua vida", concluiu.