Política

Portas rejeita caminho da continuidade

Portas rejeita caminho da continuidade

O caminho "da mera continuidade" no Ministério das Finanças, com Maria Luís Albuquerque a substituir Vítor Gaspar, em vez da abertura de um ciclo político económico diferente, precipitou a rutura que se antevia. Paulo Portas, que já tinha ameaçado várias vezes romper a coligação, fê-lo esta terça-feira. Apresentou a demissão a Passos Coelho como uma decisão "irrevogável" e convocou para esta quarta-feira uma reunião da comissão executiva do partido.

Passos pediu serenidade, lucidez, e desafiou o CDS, que tem congresso marcado para este fim de semana, a clarificar as condições do pedido de demissão do líder do partido.No entanto, terá desvalorizado esta nova divergência com Portas, tanto mais que a coligação já tinha sofrido embates maiores e sucessivos, em especial no ano passado, como foi o caso da TSU.

Aparentemente, o líder do CDS e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, cansou-se de não ser ouvido. "Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao primeiro-ministro que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência, e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no Governo seria um acto de dissimulação", frisou, em comunicado.

Falando apenas em nome pessoal (o CDS só esta quarta-feira tomará posição, prevendo-se a saída dos outros ministros centristas) sublinhou que, ao longo dos dois últimos anos, protegeu até ao limite das suas forças "o valor da estabilidade". Vincou, porém, que a forma como, "reiteradamente, as decisões são tomadas no Governo torna, efetivamente, dispensável" o seu contributo.

A nomeação de Maria Luís Albuquerque causou desconforto no CDS. "A escolha deveria ter sido cuidada, pensada e a recair em alguém sem mácula nenhuma", avança fonte do partido.

A expectativa recaía em alguém que pudesse mudar de ciclo, acentuasse a via do crescimento económico, e não em alguém que "está debaixo de fogo" devido à polémica com os contratos swap.

Paulo Macedo era o nome esperado e consensual, não só por conhecer o funcionamento do Governo, mas também a máquina da administração fiscal", justificou outra fonte do CDS.

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