Política

Protesto contra Merkel desvaloriza alertas sobre violência durante visita

Protesto contra Merkel desvaloriza alertas sobre violência durante visita

Os organizadores do protesto de segunda-feira "A Merkel Não Manda Aqui" desvalorizam os alertas sobre um possível aumento da violência durante a visita da chanceler alemã a Portugal, vincando que estes procuram apenas "dissuadir as pessoas de participar".

"Não há agência de rating para esses relatórios, porque se houvesse, de certeza teriam um rating CCC- [referindo-se a um rating muito baixo]", ironizou Rui Franco, um dos signatários do apelo "Que se Lixe a Troika", que, para segunda-feira, convocou uma ação de protesto para repudiar a presença em Portugal da chefe do Governo alemão.

Em declarações à agência Lusa, Franco lembrou que não é a primeira vez que surgem relatórios a alertar para um possível aumento da violência durante os protestos contra a austeridade e as políticas do Governo.

"Houve manifestações com centenas de milhares de pessoas na rua e nunca descambou. Estes relatórios, na verdade, são alarmismos criados para tentar dissuadir as pessoas de participarem socialmente", criticou.

Os responsáveis da iniciativa, marcada para segunda-feira, defendem que a presença da chefe do Governo alemão, que chega nesse dia a Portugal, deve merecer "todo o repúdio" da sociedade, em particular num momento social e economicamente crítico como o que o país atravessa.

E por isso apelam à mobilização de todos, de "norte a sul do país", para que, a primeira visita bilateral que Angela Merkel realiza a Portugal fique "marcada de negro", cor que, esperam, cubra "muitas praças das cidades portuguesas, janelas, lojas, táxis e autocarros".

"Não em luto, mas em luta contra a pobreza, o desemprego, a precariedade e a falta de futuro, um negro digno de quem não pode, nem quer, comer e calar", segundo o manifesto "A Luta Veste-Se de Negro", lido, esta terça-feira, aos jornalistas pela atriz Luísa Ortigoso.

A concentração, que inicialmente estava marcada para as 16 horas, no Largo do Calvário, deverá começar às 13 horas, precisou Rui Franco, salientando, contudo, que a hora "ainda não está fechada".

Já o percurso entre o local da concentração e os jardins de Belém, frente à Presidência da República, mantém-se.

Apontando para a estátua de Dom Pedro IV, na Praça do Rossio, em Lisboa - e que foi parcialmente tapada por uma faixa negra - Rui Franco explicou que Merkel representa a "Europa da austeridade".

"Ela não é a arqui-inimiga [dos portugueses], mas a representação absoluta -- um símbolo - do que está de errado não só em Portugal como em toda a Europa", vincou, realçando que é também a "voz que dá legitimidade a este Governo".

Rejeitando que as decisões sejam tomadas em Portugal por quem o povo não elegeu, o movimento apela aos cidadãos que digam "Fora Daqui" à passagem da chanceler.

"Queremos afirmar que a chanceler não manda aqui (...) Queremos dizer-lhe que não estamos à venda, apesar de a incompetente liderança do nosso país não ter qualquer pudor em entregar-nos ao desbarato", refere o manifesto.

Além do encontro com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, Angela Merkel vai reunir-se com o presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e abrir um fórum económico no Centro Cultural de Belém, disse à agência Lusa fonte.

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