Política

PS acusa Governo de insistir "num falhanço colossal"

PS acusa Governo de insistir "num falhanço colossal"

O PS considerou, esta sexta-feira, que o Governo "perdeu mais uma oportunidade de ajustar o memorando à realidade", acusando o executivo de viver numa "realidade paralela".

Numa declaração após a conferência de imprensa em que o ministro das Finanças anunciou que a 'troika' deu nota positiva a Portugal na sexta avaliação do programa de ajustamento, o membro do secretariado nacional do Partido Socialista Eurico Brilhante Dias disse que o Governo continua a adotar uma política de mais austeridade, insistindo "num falhanço colossal".

Eurico Brilhante Dias acusou o Governo de apresentar "cortes, cortes, cortes" e avançou que o PS irá apresentar um pacote de medidas de estímulo ao crescimento.

"Afundanço do país é boa notícia para a troika"

O Bloco de Esquerda afirmou que "o afundanço" do país é "uma boa notícia" para a 'troika' e para o Governo, numa reação aos resultados da sexta avaliação do programa de ajustamento financeiro.

"A 'troika' veio avaliar-se a si própria e à sua política. Naturalmente, a avaliação é positiva: mais desemprego, mais recessão, mais miséria no país. Este afundanço em que o país vive é uma boa noticia para a 'troika' e para o ministro das Finanças", afirmou Jorge Costa, da Comissão Política do BE.

Para Jorge Costa, "a novidade no discurso de Vítor Gaspar diz respeito ao corte de quatro mil milhões de euros na saúde, na educação e nas pensões dos portugueses", considerando o BE que o ministro anunciou que "este corte é apenas o primeiro".

"Ficámos a saber que é um primeiro momento do grande desbaste, da grande destruição dos serviços públicos em Portugal", sublinhou, acrescentando que, por outro lado, também "fica à vista" que o Orçamento do Estado de 2013, que será votado na próxima semana no Parlamento, "é uma mentira e vai obrigar a um orçamento retificativo já em fevereiro próximo para incorporar esse gigantesco corte de quatro mil milhões".

"Quanto mais a miséria alastra, quanto mais a pobreza cresce no país, mais positiva é a avaliação", reiterou.

"Governo anunciou novo despedimento na Função Pública"

O Partido Comunista Português considerou que o resultado da sexta avaliação do programa de ajustamento se traduz no anúncio "velado" de novo despedimento na Administração Pública e da confirmação da "destruição" dos serviços públicos em Portugal.

"O Governo anuncia de forma velada um novo despedimento na função pública coletivo quando diz que, por um lado tem consciência do esforço de redução que já está a ser feito, mas anuncia simultaneamente um novo redimensionamento da administração pública", afirmou o deputado Honório Novo.

Para Honório Novo, o ministro fez depois uma "segunda ameaça", que é "reiterada", "de destruição dos princípios constitucionais, dos valores e direitos conquistados pelo povo português no 25 de Abril, através do ataque claro às funções sociais do Estado".

Honório Novo lamentou ainda que o Governo não tenha anunciado "a boa notícia" que seria a renegociação da dívida e dos respetivos juros, preferindo insistir "no cumprimento irracional do mesmo caminho que trouxe o país à situação em que está" e na proposta de Orçamento para o próximo ano, "em que ninguém acredita, nem sequer o Conselho das Finanças Públicas", uma "entidade preguiçosa que foi hoje defendida pelo ministro das Finanças" e que, "apesar de não fazer nada, gastará ao país três milhões de euros em 2013".

"Mais um enorme sucesso de avaliação e o povo português a perceber que esse grande sucesso se transforma, na realidade do seu dia-a-dia, numa enorme desgraça e numa crescente desgraça", afirmou, dizendo que ficou hoje claro qual é "a rota" do Governo, mas que é "também claro" que os portugueses "se levantarão cada vez mais" contra "essa rota do Governo, da 'troika' e do memorando".