troika

PS alerta "troika" sobre desemprego, PCP e BE criticam "insensibilidade brutal"

PS alerta "troika" sobre desemprego, PCP e BE criticam "insensibilidade brutal"

Representantes da "troika" reuniram, esta quinta-feira, com os partidos na Assembleia da República. O PS manifestou "enormíssima preocupação" com desemprego, o PCP criticou a delegação externa por "dizer que tudo corre bem" e o BE disse que a hipótese de um segundo resgate é "tabu".

O PS manifestou uma "enormíssima preocupação" com o desemprego em Portugal, num encontro com a delegação da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional na comissão parlamentar de acompanhamento do programa de assistência.

"Urge encontrar soluções para atenuar a crise social do desemprego, que atinge números que o país já não conhecia há muitos anos", disse à imprensa Fernando Medina.

Durante o encontro, no âmbito da quarta avaliação do memorando de entendimento, o PS também expressou a sua preocupação com a evolução da execução orçamental, que Fernando Medina disse estar a ter resultados "significativamente abaixo do esperado".

Quanto às impressões da 'troika' sobre o estado da economia portuguesa, o socialista não quis fazer grandes comentários, limitou-se a dizer que "houve opiniões divergentes relativamente à análise da situação, umas mais otimistas, outras mais pessimistas".

Já Miguel Tiago, deputado do PCP, salientou que a "a avaliação da 'troika' continua a ser positiva", o que revela uma "insensibilidade brutal" perante a deterioração da economia portuguesa.

"Para a 'troika', o desemprego é causado pelos altos salários dos trabalhadores", apontou o deputado comunista. "Em alguns momentos disseram-nos que até era positivo reduzir o consumo e o crédito" a alguns setores da atividade, acrescentou.

PUB

A possibilidade de um segundo pacote de resgate foi "tabu" para a delegação da 'troika', disse à imprensa Pedro Filipe Soares, deputado do BE.

"Quando Portugal está [cada vez] mais perto de ser atirado para um segundo pacote de resgate, a 'troika' tenta ignorar a situação, não quer ver os efeitos das suas políticas: recessão cada vez mais profunda, erosão das receitas fiscais, aumento do desemprego", disse o deputado bloquista eleito por Aveiro. "Todos estes pontos deixam-nos mais perto do segundo resgate, mas esse é um tabu para a 'troika'. Cada vez mais é o silêncio que impera sobre esta questão.

"Quando questionada sobre o desemprego, onde a taxa já está nos 15%, a 'troika' não pode deixar de ter respostas. No entanto, foi isso que aconteceu: o que a 'troika' disse sobre o desemprego é que não tem resposta para este problema, e que vai continuar a estudar", afirmou Pedro Filipe Soares. "[Os técnicos da 'troika'] não querem ver o que a realidade diz: que é pela austeridade, pela recessão, que estão a ser levados os empregos de Portugal."

Depois da reunião com os deputados, que decorreu à porta fechada, a delegação chefiada por Abebe Selassie (FMI), Rasmus Ruffer (BCE) e Jurgen Kroeger (Comissão Europeia) encontrou-se ainda com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves. Os representantes da "troika' escusaram-se a prestar declarações à imprensa.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG