Política

PS critica Eurogrupo por não aprovar "medidas de alívio" para Portugal

PS critica Eurogrupo por não aprovar "medidas de alívio" para Portugal

O PS considerou esta segunda-feira "completamente descabido" que o Eurogrupo não aprove "medidas de alívio dos sacrifícios" para Portugal, sublinhando que o país "tem cumprido" e os credores e os mercados não podem ter menos "confiança" por causa disso.

Em declarações aos jornalistas após uma reunião do secretariado nacional do PS, o dirigente do partido Eurico Brilhante Dias sublinhou que em Portugal está a ser aplicado um programa de austeridade "custe o que custar" e que "tudo tem sido feito" para cumprir uma meta, a do défice, que hoje se sabe que não será cumprida.

Neste contexto, disse que, num momento em que o Eurogrupo debate medidas "que de alguma forma podem aliviar os sacrifícios dos portugueses", o PS considera "completamente descabido que o Eurogrupo, perante esta circunstância e perante os sacríficos e o Estado de pré-rutura económica e social que o país vive, não olhe para Portugal e não aplique algumas das medidas que tenham esse objetivo de alívio dos sacríficos dos portugueses".

O PS, sublinhou, não defende que "todas as medidas que têm vindo a ser debatidas sejam aplicadas ao caso português": os socialistas defendem que "há medidas que podem ser úteis e não esperam dos parceiros europeus outra atitude que não seja a de olhar para uma economia, para uma sociedade que em esforço em grande esforço, vem implementando medidas de austeridade e, olhando para esse sacrifício, diga que uma medida de alívio possa fazer com que os seus credores tenham menos confiança em Portugal".

"Os portugueses têm cumprido, é pena que o Governo tenha falhado, quer no défice, quer na dívida, mas os portugueses têm cumprido e merecem um sinal claro do Eurogrupo", acrescentou.

No início da sua declaração, Eurico Brilhante Dias, que falava na sede do partido, em Lisboa, referiu-se aos dados conhecidos hoje do Eurostat sobre a pobreza e sobre insolvências de empresas e ao relatório da Unidade Técnica de Apoio Orçamental sobre a execução orçamental até outubro para concluir que Portugal "vive à beira de uma pré-rutura económica e social".

O secretário-nacional do PS sublinhou que apesar de "tantos, tantos sacrifícios", o défice até outubro "em contabilidade nacional é pior do que o de 2011", que o corte nas despesas intermédias do Estado é inferior ao estimado e que a dívida aumentou.

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"Exige-se um Governo atuante, exige-se uma posição na União Europeia e, em particular, hoje no Eurogrupo, que defenda Portugal e que defenda para os portugueses que todas as medidas que forem tomadas de alívio de sacríficos de outros Estados membros possam também ser aplicadas em Portugal", afirmou, explicando que se trataria de "selecionar" as que fossem mais adequadas a Portugal.

Para os socialistas, o Governo tem "continuamente andado a reboque", porque "não tem agenda europeia", não conseguindo "dizer que medidas objetivamente defende" para Portugal ou "ter um discurso, uma iniciativa para permitir que Portugal possa, no quadro europeu, ter um conjunto de medidas que suportem o seu desenvolvimento económico e ajudem os portugueses a aliviar os seus sacrifícios".

"O PS, mais uma vez, sublinha que há outro caminho e nesse caminho a iniciativa no quadro europeu é decisiva", afirmou.

Eurico Brilhante Dias disse ainda que não sabe o que levou os ministro das Finanças da França e da Alemanha a defender que Portugal não deve pedir o mesmo tratamento do que a Grécia, insistindo sempre na ideia de que "as medidas que forem úteis para aliviar os sacrifícios dos portugueses" devem ser adotadas.

Questionado sobre quais são essas medidas, no conjunto que está a ser debatido no Europgrupo, escusou-se a enumerá-las, mas assegurou que "boa parte" seriam aplicáveis a Portugal.

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