Política

PS diz que Rui Rio "tem, obrigatoriamente, de se pronunciar" sobre a gestão da Metro

PS diz que Rui Rio "tem, obrigatoriamente, de se pronunciar" sobre a gestão da Metro

O PS é de opinião que o presidente da Junta Metropolitana do Porto, Rui Rio, "tem, obrigatoriamente, que se pronunciar" sobre a gestão financeira da empresa Metro do Porto, que terá causado a substituição de dois secretários de Estado.

Os socialistas lançaram o desafio na Assembleia Metropolitana do Porto, segunda-feira à noite, realçando que Rio "tem que vir a público" tomar posição acerca do assunto.

"Se não, todo este processo não faz sentido", sustentou o deputado socialista José Manuel Ribeiro.

Rio estava presente, mas manteve-se em silêncio.

A comunicação social noticiou que os anteriores secretários de Estado da Administração Interna, Juvenal da Silva Peneda, e da Defesa, Braga Lino, saíram do Governo devido a eventuais irregularidades detetadas pela Inspeção-Geral de Finanças em contratos de risco que negociaram quando eram gestores da empresa Metro do Porto.

Braga Lino foi ali diretor administrativo e financeiro entre 2006 e 2011, após cinco anos como controller (consultor financeiro na área financeira) da mesma empresa.

Quanto a Juvenal Silva Peneda, era na altura membro da comissão executiva da Metro do Porto.

Na Assembleia Metropolitana do Porto, a questão começou por ser levantada pelo deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Castro, que a definiu como uma "história lamentável".

"Tem que assumir a responsabilidade por aventuras financeiras com dinheiro que não era deles. Isto é inaceitável", sustentou José Castro, dirigindo-se a Rio, que é o presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP) e foi administrador da Metro do Porto, de 2002 a 2010.

A JMP possui 40% do capital da empresa portuense, sendo o restante capital detido pelo Estado.

"Responsabiliza-se ou não", insistiu José Castro, que ficou, todavia, sem qualquer resposta.

O deputado bloquista disse que a Metro do Porto vai perder cerca de 1.000 milhões de euros com esses contratos de risco, quis saber "quem vai ganhar com isto", referiu que aquele montante "dava para fazer a segunda fase da pensão da rede" daquela transportadora "e não há ninguém da JMP para dar a cara por isto".

O deputado da CDU Belmiro Magalhães defendeu também que Rio tem de fazer "um comentário" sobre o assunto e de assumir "responsabilidades políticas nesta matéria".

O PS voltou à carga através do deputado Monteiro da Mota, o qual, após dizer que Rui Rio "é um homem honesto, rigoroso e que gere bem dinheiros públicos, frisou que o autarca social-democrata "tem, obrigatoriamente que se pronunciar" sobre esta questão.

O CDS nada disse acerca do assunto, mas o PSD considerou que "não é legítimo que se pretenda que a responsabilidade recaia sobre o presidente da JMP".

"Isto não manobra nenhuma, é um ato de gestão mal sucedido", acrescentou o deputado social-democrata João Costa, que é o presidente da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal.

O empresário, contudo, também disse que "em 2008, não faria esse investimento" em contratos de risco como os que a Metro do Porto subscreveu, porque a "taxa de juro estava demasiado elevada".

"Rui Rio sempre nos habituou a ser uma pessoa rigorosa", concluiu.

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