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Seguro levanta véu da carta a Passos e sobe tom: país está em "pré-rutura social"

PS recusa ser "muleta do governo"

PS recusa ser "muleta do governo"

O PS avisou, esta sexta-feira, que não será muleta ou cúmplice do Governo, alertando para o risco de "rutura social". À proposta de refundação do memorando responde desafiando-o a reconhecer o "falhanço".

Foi num plenário com militantes, em Gaia, que António José Seguro reagiu às palavras do primeiro-ministro. "Em nenhuma circunstância o PS será muleta deste Governo e não será cúmplice da sua política de empobrecimento" que, advertiu o líder socialista, "leva o país" a "uma situação de pré-rutura social".

Sem revelar o teor da resposta à carta de Passos Coelho, que propôs consenso para refundação do programa de ajustamento, deixou claro o sentido da missiva. Segundo fonte do seu gabinete, "o conteúdo é muito duro".

"De um momento para o outro, o primeiro-ministro começa a falar de refundação do memorando", criticou. E deu a sua opinião sobre a razão da proposta: "Não quer reconhecer publicamente o seu escandaloso falhanço, mas vai ter de o reconhecer".

"Agora, diz que tem de fazer um corte de quatro mil milhões de euros na despesa", continuou Seguro. Isto "porque, na quinta atualização do memorando, por sua exclusiva responsabilidade, comprometeu o Estado a fazer esse corte", "sem falar com ninguém". "O senhor primeiro-ministro falou com quem?", atirou, aludindo aos cortes a fazer até fevereiro.

"Desengane-se"

Por isso, Seguro considera tardio o pedido de diálogo do Governo, que "vem agora dizer" ao PS e aos portugueses que tem de fazer-se um debate amplo para ver onde se corta". E exige a Passos "uma explicação ao país", porque "negociou exclusivamente com a troika", num horizonte de 2014 e 2015.

"Desengane-se o primeiro-ministro, se está à espera que o PS seja cúmplice de qualquer ataque ao Estado social". E "não conte com o nosso voto" para revisões constitucionais que o ponham em causa, nem "para qualquer lei que atente" contra aquelas funções", assegurou.

O PS recusa dialogar "nos termos em que o Governo quer armadilhar a discussão", olhando para as funções do Estado Social "como excesso". "Agora é que vem pedir ajuda ao PS?", questiona.

"Ninguém acredita" que o Orçamento para 2013 seja para executar; nem alguns ministros, afirma Seguro, criticando a "bomba atómica fiscal" traduzida no aumento de impostos de 30%. Feitas as contas, diz que os portugueses vão pagar "4,2 mil milhões de euros" pela "incompetência do Governo". E insiste na necessidade de "mais tempo e menos juros".

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