Política

Pureza diz que Seguro "parece ser o único a não querer encurtar mandato do Governo"

Pureza diz que Seguro "parece ser o único a não querer encurtar mandato do Governo"

O ex-líder parlamentar bloquista, José Manuel Pureza, disse, sábado, que o país exige "escolhas" e não "encolhas" e acusou o PS de "parecer ser o único a não querer encurtar o mandato do Governo".

Numa intervenção que centrou principalmente a direção do PS, Pureza defendeu que "o país brutalizado pela 'troika' e pela direita revanchista que exige escolhas e não encolhas" e por isso "não há o direito de jogar nas meias tintas, na austeridade fofinha contra a austeridade arrasadora, do memorando bom contra o memorando mau".

"Não, António José Seguro, o estado social não precisa de uma reforma que o reduza, precisa de defesa e reforço em nome da democracia. Não, António José Seguro, o memorando não precisa de ser honrado, precisa é de ser denunciado. Não, António José Seguro, a responsabilidade não é ceder ao populismo da extrema-direita e propor a redução de deputados, a responsabilidade é sair em defesa da democracia", afirmou.

Pureza advertiu que "não há memorando bom, não há austeridade fofinha", mas apenas "uma estratégia fria e clara de empobrecer quem já é pobre e de esvaziar a democracia".

O dirigente do BE citou depois o líder socialista, que disse que o Governo está a fazer tudo para "encurtar o seu mandato", para afirmar: "O BE diz-lhe desta oitava Convenção, António José Seguro, que estranho é o PS parecer ser o único que não quer encurtar o mandato do Governo".

Esta falta de vontade dos socialistas, considerou José Manuel Pureza, ficou "cristalina" na apresentação da última moção de censura ao Governo (pelo BE e PCP) quando o PS "escolheu as encolhas de uma abstenção".

"Não nos abstemos contra a direita que fez o BPN, não nos abstemos contra a direita que quer matar a RTP, nem nos abstemos contra a direita que quer dar aos pobres as sobras da comida dos restaurantes", atirou.

Sobre as responsabilidades do BE, José Manuel Pureza disse perentoriamente que o partido "não quer menos do que governar o país" e "não se furta a nenhuma convergência necessária" com outras forças que "não são com clones, mas diferentes, que faz escolhas e rejeita as encolhas".

No início da sua intervenção, o antigo deputado eleito por Coimbra lembrou as palavras de Miguel Portas, que "fez da palavra camarada um estilo de vida".

"Um partido à altura do seu testemunho não pode ser menos do que um partido de gente plural mas unida, de gente cosmopolita e por isso com vontade de aprender mais, de gente de escolhas e não de encolhas, assim temos de ser, um partido de camaradas", declarou.