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Queda do governo põe em risco 13,4 mil milhões

Queda do governo põe em risco 13,4 mil milhões

Não há cheques em branco. É este o sentimento que existe nas cúpulas das principais instituições da troika, no Eurogrupo. Estamos mais próximos da Grécia e de um segundo resgate.

O próprio Paulo Portas disse em abril passado que a queda do Governo levaria a um segundo resgate. É esta opinião, agora generalizada, que o economista João Duque explica ao JN/Dinheiro Vivo. "Estou à espera de uma reação dos mercados já amanhã de manhã (esta quarta-feira)", diz o presidente do ISEG .

"Temos que ver a solução: ou o Governo desfaz-se ou sai uma solução dentro do atual Parlamento", explica.

Contudo, o economista considera que Portugal deu o próximo passo para novo resgate: "Assim empurramos definitivamente, e sem dúvidas, um novo pacote de apoios, que eu já não tinha dúvidas de que ia acontecer. O programa de ajustamento pode vir a prolongar-se".

E de facto, esta crise governamental torna Portugal "mais parecido" com a Grécia, coloca-o mais próximo de um segundo programa de austeridade e, no curto prazo, põe em xeque o resto do programa de empréstimos da troika: ainda falta receber 13,4 mil milhões de euros.

Juros da dívida a 10 anos sobem

A notícia da demissão de Paulo Portas, apenas um dia depois de Vítor Gaspar ter batido com a porta do Ministério das Finanças, provocou um minivendaval nos mercados financeiros: os juros da dívida portuguesa a 10 anos ultrapassaram 6,7% (6,79% no fecho, perto dos os 7%, o máximo aceitável, segundo Teixeira dos Santos, antes de levar Portugal a recorrer ao resgate), um aumento de mais de 30 pontos-base; na Bolsa as ações dos bancos caíram a pique: BCP, BES; BPI e Banif perderam mais de 250 milhões num só dia.

Grécia mostra que tudo é possível

Nada é insuperável, como já se viu várias vezes no caso da Grécia, mas Portugal deve "clarificar a sua situação o quanto antes", deve mostrar "que vai mesmo fazer a reforma do Estado", dizem fontes bem colocadas. A reforma que cortará 700 milhões à despesa já esteve ano e uns impressionantes 3600 milhões em 2014.

Muitas destas pessoas recordam que, quando o PS avançou com a moção de censura em abril, a sombra do segundo resgate apareceu logo. A reforma ficaria em xeque. "Está o maior partido da oposição consciente de que a realização de eleições conduziria, com razoável grau de probabilidade, a um segundo programa e a um segundo resgate? Ou seja, a mais tempo de protetorado e mais dificuldades para as empresas e para as famílias?", foi a pergunta que Paulo Portas atirou ao PS, para gáudio do PSD e CDS.

Folga de tesouraria é apreciável

Mas os cerca de 11 mil milhões de euros no banco não evitam necessidade de emitir dívida com custos como os que a dívida pode vir a atingir(também já se agravaram nas maturidades mais curtas), Portugal não vai longe, é ideia generalizada. O país ainda tem folga na tesouraria, tem uma quantia razoável no banco (cerca de 11 mil milhões de euros), em maio foi buscar mais três mil milhões numa emissão de obrigações (OT) e 1,75 em bilhetes do Tesouro (BT). Mas precisa de continuar a contrair empréstimos de curto prazo (emitir bilhetes do Tesouro e outros instrumentos de dívida) para que tudo continue na rota planeada e desenhada com a troika.

Primeiro teste surge já em setembro

Em setembro surge já o primeiro teste: tem de amortizar uma obrigação do tesouro de quase seis mil milhões de euros e no final do ano tem de ter conseguido arranjar fundos para pagar um défice público que será de 16 mil milhões de euros, se não houver más surpresas.

Algumas fontes destacam que o Governo não está altamente pressionado a resolver a situação já, daí Passos Coelho ter ontem atirado a batata quente para Portas. A sétima avaliação está fechada, o dinheiro da respetiva tranche já está garantido. Mas tem de correr bastante para, em setembro, garantir os 2,8 mil milhões que decorrem da oitava avaliação.

O FMI e o fundo europeu (MEE) disseram ao JN/Dinheiro Vivo que não farão comentários sobre esta crise. As agências de rating e vários bancos de investimento globais contactados mantiveram-se em silêncio.

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