Eleições Europeias

Radicais conquistam votação sem precedentes nas Europeias

Radicais conquistam votação sem precedentes nas Europeias

O novo Parlamento Europeu contará, pela primeira vez, com cerca de 130 deputados extremistas, radicais, eurocéticos e nacionalistas. Representantes de partidos ou movimentos anti-europeus que conquistaram, domingo, uma votação sem precedentes em países como França, Áustria, Dinamarca, Reino Unido, Grécia e Hungria.

A Frente Nacional francesa assume-se como figura de proa da tomada do Parlamento Europeu pelos radicais, que conquistaram, domingo, uma ampla presença na União Europeia de norte a sul (na Dinamarca e Finlândia, mas também na Grécia e em Itália) e de Este a Oeste (Hungria, Alemanha, Reino Unido).

A Frente Nacional provocou um terramoto político em França vencendo as eleições europeias com 25,4% dos votos, ficando à frente dos partidos de Governo e tornando-se símbolo da subida dos partidos eurocéticos por toda a União Europeia.

O partido de Marine Le Pen passou de três eurodeputados para 23 e tudo aponta para que seja a líder da extrema-direita francesa a liderar o grupo de radicais e de eurocéticos na formação de uma grande aliança no Parlamento Europeu.

O Jobbik, partido húngaro ultra-nacionalista de discurso racista, xenófobo e antissemita, ficou em segundo lugar com 14,7%, elegendo três eurodeputados, mas perdendo 6% de votos em relação às legislativas em Abril.

O líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), anti-europeu, considerou "histórico" o resultado obtido nas eleições europeias, numa altura em que conta com 23 dos 73 deputados eleitos pelo país. O UKIP consegue 27% dos votos, ou seja, mais dois pontos percentuais do que os Trabalhistas, o maior partido da oposição.

Partidos ultranacionalistas e anti-Europa foram dos que registaram subidas mais acentuadas nos países escandinavos, com um partido xenófobo a liderar os resultados das eleições europeias na Dinamarca. O Partido Popular Dinamarquês foi o grande vencedor do escrutínio, conquistando quatro dos 13 lugares no Parlamento Europeu, com 26,7% dos votos, um resultado que representa uma subida de 11 pontos percentuais.

Na Finlândia, o partido populista e anti-Europa Verdadeiros Finlandeses subiu mais de três pontos percentuais na votação, registando 12,9%, resultado que garante dois lugares no Parlamento Europeu. Um dos eleitos, Jussi Halla-aho, foi condenado em 2012 por comentários xenófobos e anti-islâmicos.

Na Suécia, a extrema-direita registou a maior subida de sete pontos, com os Democratas da Suécia a terem 9,9% dos votos e dois eleitos. Outra surpresa foi a conquista de um lugar pelo partido Iniciativa Feminista, que foi criado há nove anos por uma popular ex-deputada socialista, que obteve agora 5,3% dos votos.

Na Grécia, o partido Syriza, Coligação de Esquerda Radical, venceu as eleições europeias, com uma vantagem de mais de três pontos sobre os conservadores do primeiro-ministro Antonis Samaras.