Política

Relvas diz que Seguro não tem "atitude séria" ao criticar austeridade

Relvas diz que Seguro não tem "atitude séria" ao criticar austeridade

O ministro dos Assuntos Parlamentares acusou, esta quinta-feira, o líder socialista de não ter "uma atitude séria" ao criticar as medidas de austeridade e considerou que propor o alargamento do prazo da ajuda externa é "a pior coisa a dizer".

"Não é uma atitude séria, sejamos claros. Nós temos de ser muito cuidadosos com as palavras", declarou Miguel Relvas, em entrevista à SIC Notícias, frisando que estar na oposição não isenta de responsabilidades, "pelo contrário".

O ministro recordou que foi o PS que negociou "parte significativa da receita financeira" com a "troika".

Miguel Relvas comentava assim críticas do líder do PS, António José Seguro, que defendeu menos austeridade e maior aposta no crescimento económico e considerou que a boa avaliação da "troika" ao cumprimento do memorando por Portugal significa mais recessão, mais desemprego e destruição do aparelho produtivo.

"A pior coisa que podíamos andar aqui a dizer, todos, ao fim de oito meses, [é] que queremos mais tempo e mais dinheiro. Temos é que cumprir. Sabemos que se gera dificuldades, que temos problemas sociais e para esses temos de ter resposta", defendeu o ministro, depois de Seguro ter questionado "por que razão é que não se mexe no memorando".

Miguel Relvas considerou que o PS se tem afastado "das medidas mais difíceis e daquelas que são menos populares", no âmbito do acordo com a "troika".

"Eu gostaria muito que o doutor António José Seguro olhasse para os desafios que tem pela frente e sentisse que o PS é parte da solução", afirmou.

Sobre a taxa de desemprego em janeiro, de 14,8 por cento, o ministro sustentou que os números são "de facto preocupantes, mas não se resolvem com palavras e discursos", apenas diminuem com medidas que "façam a economia mexer e crescer".

Miguel Relvas adiantou esperar que no segundo trimestre deste ano seja possível lançar a iniciativa "passaporte emprego", hoje apresentada, de apoio a estágios profissionais para jovens desempregados, através da reprogramação de fundos comunitários.

Questionado sobre a privatização da RTP, Miguel Relvas disse que "a alienação de um canal vem referida na última análise da 'troika'", que aponta como prazo o último trimestre de 2012.

"Estamos a falar de alienar uma licença, não estamos a falar da alienação da marca, dos serviços. O serviço público vai continuar", frisou, exemplificando que no ano passado a RTP custou 300 milhões de euros, valor superior aos 280 milhões de euros destinados este ano para o funcionamento do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

"Não é normal que uma televisão custe mais que todas as embaixadas que Portugal tem no Mundo, que a nossa política externa", considerou.

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