Concelho Porto

Rui Rio diz que "é triste ver o Governo apostado em destruir Porto Vivo"

Rui Rio diz que "é triste ver o Governo apostado em destruir Porto Vivo"

Rui Rio não o disse abertamente, mas a ideia ficou implícita: não aceita lições de gestão do Governo. Quando o Executivo de Pedro Passos Coelho impôs um corte "sofisticado" na administração pública já o atual presidente da Câmara do Porto tinha encomendado um estudo sobre onde cortar e como cortar.

"Quando o Governo diz que é preciso reduzir 10%, isso não é nada. Eu reduzi as direções autárquicas em 35%, mas quando parti para o problema não sabia que o corte seria de 35%. Foi essa percentagem porque foi a forma de ficar bem feito. Numa autarquia ao lado, poderia ser 20% ou 40%. Impor um X de corte à cabeça é coisa que não entendo", disse.

A crítica foi apenas uma das várias que Rui Rio teceu, esta quarta-feira, ao Governo, na Faculdade de Ciências Económicas, Sociais da Universidade Lusófona do Porto, num debate sobre "Gestão e política", em que participou também Rui Moreira, candidato independente à Câmara do Porto.

A crítica mais dura de Rui Rio ao Governo haveria de ser no entanto à Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo. "É muito triste ver-se o Governo apostado em deixar falir a SRU, em dar cabo deste projeto que é importante para o Porto, epela dimensão do Porto, importante para o país." Rui Rio referia-se à dívida de 2,4 milhões de euros que o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU) deve à Porto Vivo há dois anos.

"Uma cidade que tem uma taxa de desemprego de 20% não merece um Governo que diz que um projeto destes - que cria emprego, anima a economia, defende o património e fomenta o desenvolvimento do turismo - é muito caro", realçou. "Contribuir com um milhão de euros por ano não paga o salário de alguns gestores que são também responsáveis pelo estado a que o país chegou."

Se dúvidas houvesse sobre as vantagens da reabilitação - uma das suas três prioridades ao longo de três mandatos -, o autarca atira o número: 500 milhões de euros. "É essa a diferença operada entre 2005 e hoje, seja na animação, na arrumação do espaço público, no investimento do edificado, no investimento público, mas fundamentalmente privado: mais de 500 milhões de euros investidos desde 2005."

Rui Moreira corroborou a importância da reabilitação urbana, sustentando-a com "a crescente necessidade de afirmação das cidades na Europa" e, por isso mesmo, lamentando "o grave problema de gestão do país."

PUB

Para o candidato independente ao Porto, "o efeito multiplicador da reabilitação urbana foi no mínimo de dez, pelo o Estado central recebeu em IVA, em IMT, em IMI e em descontos das empresas que aqui fizeram as suas obras, muito mais do que investiu. Só que este Governo não está disponível para reinvestir o que ganha com a cidade", criticou.

O problema, insistiu, "é que a cidade é hoje vista pela Estado central como mera filial", sendo que "esse Estado central é aquele que arrebanha grande parte dos nossos lucros."

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG