Política

Sacrifícios podem não valer de nada sem solução europeia, diz Diogo Feio

Sacrifícios podem não valer de nada sem solução europeia, diz Diogo Feio

O eurodeputado do CDS-PP Diogo Feio advertiu esta quinta-feira que os líderes europeus têm que encontrar uma solução sob pena dos esforços nacionais "não valerem de nada", garantindo que "não há ninguém na Europa que seja masoquista".

-- Diogo Feio (C/ÁUDIO E VÍDEO)

*** Serviço áudio e vídeo disponíveis em www.lusa.pt ***

Em entrevista à Agência Lusa, Diogo Feio -- que foi nomeado relator sombra para o relatório sobre os 'eurobonds' (obrigações europeias) pelo Partido Popular Europeu -- defendeu que, nesta questão, aquilo que "a União Europeia vai ter é soluções para o curto prazo e outras para o médio e longo".

O eurodeputado considera que se irá começar "pela aplicação de um sistema de obrigações em comum, que não obrigue à revisão de tratados", o que "vai levar a que as pessoas vejam com outros olhos uma determinação definitiva dos eurobonds".

Para Diogo Feiro, "é natural que os líderes europeus tenham que encontrar uma solução, sob pena de todos os esforços que estão a ser feitos a nível nacional não valerem de nada. Porque por muito que Portugal esteja a cumprir, e bem, tudo aquilo que lhe foi determinado no memorando de entendimento, se não tivermos uma solução desta crise europeia, então vai valer de muito pouco", alertou.

O eurodeputado democrata-cristão considera assim que irá haver uma "emissão parcial de obrigações" que será "não conjunta, da responsabilidade dos Estados, inicialmente, mas com alguma solidariedade" entre eles.

"Será o primeiro passo, porque esta emissão de dívida vai ter presente duas ideias: a necessária disciplina orçamental para os Estados e um instrumento comum de gestão de uma moeda", explicou.

Feio antevê que "mais à frente" terão que ser discutidos "obrigatoriamente os poderes do Banco Central Europeu" ou de uma instituição parecida.

"Noto que houve uma mudança de posição por parte de algumas lideranças europeias e acredito que quando se atingirem patamares de disciplina para os Estados será muito mais fácil a Alemanha, por exemplo, apresentar a ideia dos eurobonds internamente", antecipou.

O democrata-cristão defende que o Velho Continente "vai ser realista", uma vez que "não há ninguém na Europa que seja masoquista, que queira o mal para o seu Estado".

Neste sentido, enfatizou que "se o mercado europeu deixar de funcionar, colapsar, a Alemanha vai sofrer imenso".

Questionado sobre a postura do primeiro-ministro sobre o tema, Diogo Feio concorda com Pedro Passos Coelho quando diz que "não se consegue alterar tratados de um dia para o outro", considerando, no entanto, que "quanto mais cedo se começar mais cedo se termina".

Tudo isto, adiantou, "é um puzzle que vai encaixando onde os 'eurobonds' são apenas uma das peças. Ajudam ao crescimento, mas não são a solução total para termos crescimento. Vamos precisar de mais coisas. Portanto, nesse sentido, não tenho uma discordância feroz quanto a essas afirmações do primeiro-ministro. Talvez seja um bocadinho mais entusiasta da ideia", disse.

O democrata-cristão rejeitou ainda que esta seja uma questão que tenha criado divergências dentro do Governo de coligação, uma vez que aquilo que Paulo Portas disse "é que era uma ideia interessante e a discutir", argumentou.

"Não ouvi nenhuma intervenção do primeiro-ministro a dizer que não quer discutir. Ele demonstrou foi uma opinião. (...) Estamos precisamente na altura interessante de que falava o ministro Paulo Portas, de discussão sobre modelos de possíveis obrigações europeias", observou.