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Secretário-geral do PS defende separação entre política e negócios

Secretário-geral do PS defende separação entre política e negócios

O secretário-geral do PS defendeu, em Vila Real, uma separação entre a política e os negócios, referindo que "é mais do mesmo" que os nomes conhecidos para a administração de "um banco" sejam associados à atual maioria.

O Espírito Santo Financial Group (ESFG) anunciou que vai propor Vítor Bento para presidente executivo do Banco Espírito Santo (BES) e João Moreira Rato para administrador financeiro, num comunicado enviado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O ESFG aponta ainda o deputado social-democrata e ex-juiz do Tribunal Constitucional Paulo Mota Pinto, para o cargo de presidente do Conselho de Administração.

"Vejam as últimas notícias sobre um banco português e vejam os três nomes conhecidos para a administração desse banco, todos associados à atual maioria política", afirmou António José Seguro, que discursava num encontro com militantes do PS.

Segundo o líder socialista, "um deles vem do parlamento para a administração do banco, outro era até há bem pouco tempo, até saber o seu nome, quem fazia a gestão da dívida pública, vendia dívida pública e agora vai para a administração de um banco que comprou essa dívida pública".

"Isto não pode continuar. Isto é mais do mesmo, é isto que afasta as pessoas da política, é isto que denigre as instituições", frisou.

Seguro salientou, no entanto, que não se pode aceitar que isto aconteça, quer se trate de adversários políticos ou do seu próprio campo político. "Isto não é aceitável, porque esta exigência ética é aquilo que os nossos concidadãos nos dizem cada vez que há eleições, e em que milhares e milhares de portugueses votam em branco e manifestam o seu protesto, porque estão desiludidos e descontentes com a vida política e com a vida partidária", sublinhou.

O secretário-geral do PS afirmou que "a política não pode permitir a promiscuidade entre os negócios, os interesses e a vida pública".

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"Nós não estamos na política para defender os nossos contra os outros, estamos na política para defender princípios e valores, e um dos princípios deste projeto é a separação entre a política e os negócios, entre a política e a atividade económica, entre a vida e o serviço público e os interesses, por mais legítimos que eles sejam", acrescentou.

Seguro lembrou ainda que, até 15 de setembro, o PS vai entregar na Assembleia da República (AR) uma "nova proposta para uma nova lei das incompatibilidades".

Isto porque, na sua opinião, não é aceitável que, por exemplo, "possam existir deputados na AR que, pelo facto de serem advogados, o povo português não saiba quem são os seus clientes, isto é, de onde recebem o dinheiro".

"É uma questão de transparência. Na questão da ética e transparência, nós temos que dar caminhos nesse sentido", salientou.

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