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Seguro acusa Governo de "mascarar" números da execução orçamental

Seguro acusa Governo de "mascarar" números da execução orçamental

O secretário-geral do PS acusou terça-feira à noite o Governo de tentar "iludir os portugueses" ao "mascarar" os números da execução orçamental, contrapondo que o país está "pior do que em maio de 2012".

"O ministro da Finanças fala de números muito acima daquilo que estava previsto", mas "os dados da execução orçamental demonstram que Portugal está pior do que estava em maio de 2012", afirmou António José Seguro, desafiando: "Portanto, não mascarem os números, não mascarem a realidade".

O líder socialistas reafirmou que "o país está numa situação difícil e o que mais faltava é que o principal responsável por essa situação, que é o Governo, viesse agora tentar iludir os portugueses com este número".

António José Seguro falava aos jornalistas em Évora, na terça-feira à noite, à margem do jantar de apresentação dos candidatos do PS àquele concelho alentejano nas eleições autárquicas de 29 de setembro.

Os números da execução orçamental, revelados na terça-feira pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), indicam que o défice das administrações públicas melhorou 865 milhões de euros em maio, de acordo com a contabilidade da "troika", devido ao aumento dos impostos diretos, em 21,8%.

No parlamento, também na terça-feira, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse que o défice orçamental em contabilidade nacional no 1.º trimestre pode atingir os 10%, caso o INE reclassifique para este ano o aumento de capital com fundos públicos em bancos.

António José Seguro frisou, a propósito da execução orçamental de maio, que os números são explicados com dividendos vindos do Banco de Portugal.

"Se tirar exclusivamente maio deste ano, tem que verificar porque é que isso acontece, designadamente porque houve dividendos extraordinários, de cerca de 350 milhões de euros, vindos do Banco de Portugal", afirmou.

Mas, segundo o político socialista, se for analisada a execução orçamental dos cinco primeiros meses deste ano, os números são outros, com "um aumento da despesa, um aumento do défice e uma quebra brutal do investimento".

Questionado ainda sobre o facto de Vítor Gaspar ter admitido "o abaixamento das taxas de imposto para os contribuintes cumpridores", Seguro lembrou que quem aumentou os impostos foi o próprio ministro.

"Eu ouvi essas declarações e é muito simples. Quem as proferiu foi quem aumentou os impostos" e "para níveis nunca vistos em Portugal", apenas com o propósito de "tapar os seus próprios erros", criticou.

Acerca da presença da "troika" em Portugal desde segunda-feira, para realizar mais uma missão intercalar, Seguro foi taxativo: "Eu da 'troika' já não espero nada".

"Aquilo que os portugueses esperam é que haja condições para que exista um Governo que diga à 'troika' aquilo que a 'troika' tem que ouvir", ou seja, que "as políticas de austeridade já não têm sequer qualquer fundamento teórico", concluiu.

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