Política

Seguro e Passos travam debate cerrado sobre salário mínimo e cortes

Seguro e Passos travam debate cerrado sobre salário mínimo e cortes

O secretário-geral do PS e o primeiro-ministro travaram esta quarta-feira uma cerrada discussão sobre o aumento do salário mínimo nacional e sobre cortes que o Governo se terá comprometido a fazer para encerrar o atual programa de ajustamento.

Neste debate quinzenal, em quatro intervenções, António José Seguro acusou Pedro Passos Coelho de mudança de posição e de eleitoralismo em relação ao aumento do salário mínimo, exigiu que o líder do executivo diga que cortes nos salários e pensões antes provisórios vai agora tornar definitivos e onde vai cortar cerca de mil milhões de euros na despesa do Estado.

Pedro Passos Coelho negou com veemência um agravamento dos cortes de salários e de pensões, defendeu que o seu executivo tem reduzido todos os anos a despesa corrente primária do Estado e lamentou o estilo de intervenção política do secretário-geral socialista, tentando assustar funcionários públicos e pensionistas.

António José Seguro abriu o "frente-a-frente' dizendo que em março do ano passado o primeiro-ministro até preconizava uma redução do salário mínimo.

O secretário-geral do PS citou depois, no mesmo contexto, um aparte que terá sido proferido por Passos Coelho no último debate quinzenal, enquanto o líder socialista discursava em defesa do aumento do salário mínimo.

"Ainda bem que há eleições", referiu Passos, citado por Seguro.

Dois dias após este episódio, segundo Seguro, "a mês e meio de distância das eleições para o Parlamento Europeu", o presidente do PSD admitiu então aumentar o salário mínimo.

Na resposta, o primeiro-ministro assumiu ter defendido que era uma política errada "agravar os custos salariais das empresas numa altura de recessão económica".

"Quando a economia o permite - disse isto no ano passado -, quando estamos a recuperar economicamente e o emprego está a aumentar, faz sentido fazer essa discussão (do salário mínimo). Uma discussão que não é incondicional e que está dependente de uma política de rendimentos que não provoque novo desequilíbrio externo na conta corrente e que não torne menos competitivas as nossas condições económicas", advertiu o líder do executivo.

Mais duro revelou-se Pedro Passos Coelho na resposta à acusação de António José Seguro de que o Governo prepara novos cortes nos salários e nas pensões e, por outro lado, que o próprio primeiro-ministro "já nem se dá conta da importância que essa questão tem para um pensionista" ao considerar que tal matéria "não é um bicho de sete cabeças".

Na reação, Passos considerou que Seguro atua "numa linha descredibilizadora", quando, em contraste, o seu Governo procura transmitir "tranquilidade" aos pensionistas e funcionários públicos.

"Não sei se o senhor deputado (António José Seguro) deseja que o Governo apresente tal coisa [maior penalização destes dois grupos] para poder falar sobre as maldades que o Governo ainda teria para fazer. Esqueça isso senhor deputado, isso não vai acontecer", disse, dirigindo-se ao líder socialista.

A terminar, Passos Coelho atacou o passado dos governos socialistas.

"É preciso muita audácia para um partido que inscreveu no PEC IV e no memorando cortes salariais e cortes nas pensões acusar agora um Governo que está a cumprir esse memorando de estar a ser excessivo nos sacrifícios", reagiu o primeiro-ministro.

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