Política

Seguro garante estar em melhores condições para unir o partido

Seguro garante estar em melhores condições para unir o partido

O candidato às primárias do PS António José Seguro garantiu esta quarta-feira estar em melhores condições do que o seu adversário, António Costa, para unir o partido a seguir às eleições de domingo.

"Eu vejo agora o nosso opositor interno muito preocupado com as divisões no PS. Mas não foi ele que provocou esta divisão no PS? Não foi ele que provocou a maior crise do PS", questionou, durante um jantar com militantes e simpatizantes em Resende, no norte do distrito de Viseu.

Na sua opinião, "toda a gente já percebeu que quem está em melhores condições de unir o PS foi quem sempre, ao longo destes três anos, contribuiu para essa união" e para "o alargamento e a abertura" do partido.

"Aquilo que vamos fazer no dia 29 é continuar a trabalhar para retomar o nosso caminho, que iniciámos há três anos, um caminho sério, responsável, construtivo, canalizando todas as nossas energias para a oposição a este governo e simultaneamente para a afirmação da nossa alternativa", frisou.

Hoje de manhã, António Costa disse ter o dever de "assegurar aquilo que é fundamental, que é a unidade e a coesão futura do PS".

Durante um discurso de mais de meia hora, António José Seguro retomou a temática da "promiscuidade entre a política e os negócios", por entender que é uma das razões que leva os portugueses a afastarem-se da política.

"Tem de haver uma fronteira nítida entre a política e os negócios. E essa fronteira connosco será cada vez mais nítida, porque é isso que ajuda a restabelecer a confiança dos portugueses na política e na forma de fazer política em Portugal", frisou.

Este assunto tinha sido abordado no debate televisivo de terça-feira, entre António José Seguro e António Costa, tendo o moderador pedido ao secretário-geral socialista para esclarecer as suas referências ao setor invisível da sociedade portuguesa dos interesses, que está nos partidos do poder e que no caso do PS estará de forma geral a apoiar a candidatura do presidente da Câmara de Lisboa.

António José Seguro apontou então Nuno Godinho de Matos, que exerceu as funções de administrador do Banco Espírito Santo e que foi advogado da firma germânica "Ferrostaal", vendedora dos submarinos ao Estado Português, que apoiou o candidato do PSD nas últimas autárquicas em Oeiras, mas que, nas eleições primárias do PS, na qualidade de porta-voz de um grupo de fundadores do partido, manifestou apoio a António Costa.

Em Resende, António José Seguro disse que a existência de uma "fronteira nítida entre a política e os negócios" não é um critério que o PS impõe só aos outros partidos.

"Para sermos sérios os critérios impõem-se para todos, para os nossos e para os dos outros partidos. Mais, temos de ser sempre mais exigentes dentro da nossa casa para merecermos a confiança e o crédito de todo o povo português", frisou.

Depois de ter ouvido queixas dos autarcas que falaram antes de si sobre o encerramento de serviços públicos, António José Seguro garantiu que não desistiu do interior do país.

"O interior é bonito, tem um património fantástico, tem gente trabalhadora, há inteligência, há competência, o que faltam são oportunidades, designadamente de emprego", considerou, comprometendo-se a "criar um sistema fiscal mais amigo do investimento no interior".

O candidato do PS a primeiro-ministro prometeu também trabalhar com as câmaras municipais e as Juntas de Freguesia e voltou às críticas a António Costa.

"Ao contrário do nosso opositor interno, nunca me ouvirão dizer que as freguesias com menos de mil habitantes são para extinguir", afirmou, exemplificando que, se assim fosse, no concelho de Resende, das onze freguesias existentes, ficariam apenas quatro.

Na sua opinião, só "quem vive em Lisboa e não conhece o país pode dizer disparates desta natureza".

"Mas quem, como nós, vive no interior e conhece o interior sabe que não pode aceitar propostas destas", acrescentou.