Política

Seguro indisponível para "colaborar no desmantelamento do Estado Social"

Seguro indisponível para "colaborar no desmantelamento do Estado Social"

António José Seguro pediu este sábado ao primeiro-ministro para clarificar o que pretende dizer com a proposta de refundação do memorando da troika mas advertiu desde já que o PS "não está disponível para colaborar no desmantelamento do Estado Social".

"O primeiro-ministro falhou, meteu-se numa camisa de sete varas", disse o líder socialista, que repetiu a expressão por duas vezes e acrescentou que não poderia responder ao repto de Pedro Passos Coelho para que o PS participasse na refundação do memorando porque o primeiro-ministro não soube explicar o que queria.

"Quer dizer o quê com a refundação do programa de ajustamento? Atualização, nós sabemos. É que o primeiro-ministro já fez cinco atualizações do memorando, da sua exclusiva responsabilidade, e não aproveitou essas atualizações para melhorar o nosso programa de ajustamento", disse.

Para António José Seguro, a refundação "é uma singularidade no léxico político português e é uma novidade que o primeiro-ministro hoje deixou no seu discurso".

"Nós, socialistas, não nos podemos pronunciar sobre algo que o primeiro-ministro não foi capaz de explicar aos portugueses e que nós pretendemos que ele explique com clareza", acrescentou.

O líder do PS, que falava a centenas de militantes num jantar que decorreu no complexo municipal de desportos de Almada, garantiu, no entanto, que não fará qualquer acordo "nas costas dos portugueses" e que não está disponível para colaborar no "desmantelamento do Estado Social".

"O PS não está disponível para nenhuma revisão constitucional que ponha em causa as funções sociais do Estado, que são instrumentos para o combate às desigualdades sociais, para a coesão social e para a solidariedade entre gerações".

O líder do PS garantiu que "os acessos à saúde, à educação e à proteção social são pilares de uma matriz civilizacional de que o PS nunca abdicará".

António José Seguro falava num jantar em que renovou as críticas que tem vindo a fazer ao Governo PSD/CDS pela degradação da situação económica e pelo aumento do desemprego.

O líder socialista acusou ainda o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de o ter criticado, durante as jornadas parlamentares do PSD e do CDS/PP, por falar da situação de Portugal na Europa.

"Eu não abdico de dizer a verdade em Portugal e na Europa daquilo que se está a passar no país", frisou, reafirmando que o PS irá votar contra o Orçamento do Estado para 2013.