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Seguro pede mais ambição nas negociações, Passos defende realismo

Seguro pede mais ambição nas negociações, Passos defende realismo

O secretário-geral do PS manifestou-se, esta quarta-feira, desiludido com a prevalência de egoísmos nacionais no debate europeu sobre as perspetivas financeiras até 2020 e pediu mais ambição a Portugal, mas o primeiro-ministro defendeu realismo nas negociações.

António José Seguro e Pedro Passos Coelho falavam no debate parlamentar que antecede a cimeira extraordinária de chefes de Estado e de Governo da União Europeia, na quinta e sexta-feira, em Bruxelas, sobre o quadro plurianual 2014-2020.

No debate parlamentar mais sereno dos últimos meses entre o líder do executivo e o secretário-geral do PS, Pedro Passos Coelho começou por se congratular com o interesse manifestado por António José Seguro no sentido apoiar os esforços do Governo de Portugal nas negociações das perspetivas financeiras europeias até 2020.

Na sua intervenção, no entanto, o secretário-geral do PS deixou algumas notas de demarcação face à estratégia negocial do Governo, quis saber o que o primeiro-ministro considera aceitável nas negociações e defendeu que Portugal se deveria bater pela proposta do Parlamento Europeu, que pretende aumentar em 0,5% o volume financeiro a transferir para o Orçamento comunitário, cerca de 0,1% do Produto Interno Bruto europeu.

Passos Coelho respondeu que a perspetiva do Parlamento Europeu nestas negociações é mais ambiciosa do que a de qualquer Governo e adiantou que Portugal terá uma "visão realista" e não rígida, tendo em vista tornar viável um acordo entre 27 Estados-membros.

O primeiro-ministro disse depois que Portugal não será fator de bloqueio perante propostas inferiores a um aumento de verbas, como pretende o Parlamento Europeu, e advertiu António José Seguro que nenhum líder europeu assume essa visão de intransigência.

Pedro Passos Coelho afirmou rever-se na proposta inicial da Comissão Europeia e reiterou a sua oposição à proposta do presidente do Conselho Europeu, designadamente no sentido de se promover uma redução de 80 mil milhões de euros, com forte prejuízo para os países da coesão.

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António José Seguro pediu então "mais ambição" ao Governo português, defendendo mais solidariedade e menos egoísmos nacionais neste debate.

"Estamos esclarecidos quanto à ambição da Europa e dos seus líderes, dois terços dos quais são da sua família política [do Partido Popular Europeu], a começar pela sua orientadora, a chanceler [germânica] Ângela Merkel", disse, no único momento em que se ouviu um ruído de fundo de protesto vindo das bancadas da maioria PSD/CDS.

Ao longo do debate, António José Seguro deixou ainda outras farpas ao primeiro-ministro, avisando que está à espera de consultar atas dos últimos conselhos europeus para verificar de que modo Pedro Passos Coelho defendeu "uma resposta europeia à crise".

Num momento em que o primeiro-ministro já não dispunha de tempo para responder, o secretário-geral do PS também questionou Passos Coelho sobre quanto "projectbonds" tem Portugal preparados para se candidatarem a financiamento do Banco Europeu de Investimentos, num momento "em que Portugal atravessa uma situação de emergência em termos de financiamento".

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