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Seguro pede novo tratado da UE

Seguro pede novo tratado da UE

O secretário-geral do PS, António José Seguro, defendeu, esta segunda-feira, um novo Tratado da União Europeia, tendo como objetivo a criação de uma Europa federal, com igualdade entre Estados-membros e entre cidadãos do espaço europeu.

António José Seguro discursava na sessão de abertura do Conselho da Internacional Socialista (ISC), que decorre até terça-feira em Cascais.

Numa intervenção em que procurou traçar as consequências da atual crise financeira no quadro mundial, regional (União Europeia) e nacional, o líder socialista português advogou que é necessária "mais política na Europa".

"Sim, precisamos de um novo tratado europeu. A nossa opção é clara: Uma Europa federal, onde cada Estado e cada pessoa esteja em pé de igualdade e onde não sejam apenas uns países a determinar aquilo que deve ser a História e o futuro de outros países que estão em dificuldades", disse, arrancando uma salva de palmas, numa plateia composta por centenas de delgados em representação de cerca de cem partidos filiados na IS.

De acordo com António José Seguro, a solidariedade que esteve na origem do projeto europeu "está hoje muito afastada dos líderes europeus".

"Temos de ter um Governo económico e político para que possa haver instrumentos eficazes para contrariar a crise que atravessamos", sustentou, antes de dar um exemplo sobre uma situação de desigualdade entre Estados-membros.

"Na Europa há países sob assistência financeira que pagam caro pelo financiamento da sua economia e, ao mesmo tempo, há países que se financiam a taxas negativas. Como é possível que possa haver países que pagam sete por cento para financiar a sua economia e existam outros países que se financiam a taxas negativas? A solidariedade não pode ser discursiva, tem de ter uma tradução concreta", frisou.

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Na sua intervenção, o secretário-geral do PS classificou como "fantástico" o projeto europeu, dizendo que é portador "de um enorme humanismo" e que, "graças a ele, a Europa viveu em paz durante o maior tempo da sua História".

"Mas a Europa precisa de pôr fim à sua ambiguidade e, de uma vez por todas, tem de fazer opções claras e não pode ser apenas um mercado com uma moeda única. Não conheço no mundo nenhuma união monetária que não tenha uma união política", observou.

Na perspetiva de António José Seguro, "a Europa precisa de política e precisa de um Governo económico".

"A Europa tem uma única política cambial, tem uma única política monetária, mas tem 17 políticas orçamentais diferentes. O Orçamento da União Europeia corresponde a cerca de um por cento da riqueza de todos os países a 27. Como é possível poder construir um projeto de integração regional sem construir uma política económica coerente que responda aos problemas das pessoas?", interrogou-se Seguro.

Seguro apresentou ainda um exemplo de alegada incapacidade política de reação por parte da União Europeia, depois de confrontada com a crise financeira de 2007 e 2008 que "teve origem nos mercados financeiros".

"Ao longo destes quatro anos, a Europa andou sempre a correr atrás do prejuízo e foi incapaz de enfrentar com vontade e coragem política os verdadeiros problemas que tem pela frente", salientou, num discurso em fez referências elogiosas a dois antigos secretários gerais do PS: Mário Soares e António Guterres.

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