Política

"Sem produzirmos mais não devemos menos", garante Jerónimo de Sousa

"Sem produzirmos mais não devemos menos", garante Jerónimo de Sousa

O líder comunista defendeu esta quarta-feira o estímulo ao setor produtivo em Portugal por considerar que é a única solução para combater o desemprego e o défice, sem recurso a empréstimos do exterior.

Numa ação de campanha autárquica, em visita a uma fábrica de transformação de cortiça, ainda em fase embrionária e à espera de capital para investir e empregar até 120 funcionários, Jerónimo de Sousa enalteceu as "potencialidades imensas" do país

"Estamos aqui num distrito e numa cidade em que praticamente todo o aparelho produtivo foi destruído. Consideramos profundamente preocupante que uma empresa com reais potencialidades, de exportação, que tem a vantagem única de estar junto à matéria-prima, e, infelizmente, tem encontrado dificuldades de adiamentos sucessivos em relação ao financiamento e ao crédito", lamentou.

Segundo os responsáveis da unidade fabril, atualmente com cerca de 40 elementos, mas contando estar em plena laboração no início de 2014, o investimento global será de nove milhões de euros para produzir, sobretudo pavimentos e material isolante, escoados para os Estados Unidos, Japão e Rússia.

"Sem produzir mais, não devemos menos, não encontramos soluções para o desemprego, não combatemos o défice. A produção nacional continua a ser um elemento de fundo e bem podemos pedir os empréstimos que quisermos", afirmou o secretário-geral do PCP, que concorre às autárquicas coligado com "Os Verdes" e a Intervenção Democrática, formando a Coligação Democrática Unitária (CDU).

A fábrica visitada, pelas mãos do administrador e acionista maioritário do negócio, João Posser de Andrade, e da diretora-geral da planta fabril, Manuela Mendes, descende da antiga Robson, fundada ainda no século XIX por uma família inglesa do Halifax.

A cortiça na sua forma mais pura tem grande recetividade nos mercados asiáticos, sobretudo por terras nipónicas, por ser "um dos melhores substratos para a criação e transporte de orquídeas", embora a procura por parte de empresas russas tenha vindo a crescer, desta feita para aproveitar as suas qualidades de isolamento térmico.