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Soares diz que é preciso saber "bater o pé" à troika

Soares diz que é preciso saber "bater o pé" à troika

Mário Soares rejeitou, esta terça-feira à tarde, "uma situação de dependência" de Portugal face à troika, desejando que o país saiba "bater o pé quando é preciso". Num debate em Vila do Conde, reclamou ainda uma estratégia de crescimento, para além das medidas de austeridade e criticou a chanceler alemã, Angela Merkel.

Numa intervenção sobre crise europeia, o ex-presidente da República defendeu ser importante haver "uma estratégia" e o país "andar para a frente" e "não só fazer o que a troika quer". Para isso, é preciso que "os partidos funcionem" e "as pessoas se entendam".

Fundamental, segundo Mário Soares, é que "sejamos capazes de bater o pé quando é preciso, senão onde vamos parar?". Recordando que, quando foi primeiro-ministro, o país recorreu duas vezes ao Fundo Monetário Internacional, o socialista contrapôs que, na altura, os responsáveis por aquela entidade "não deram conferências de imprensa" nem "disseram que mandavam no país".

"Aceitamos que estes senhores mandem na nossa terra?", questionou, em jeito de crítica, numa sessão alusiva ao 22º aniversário da Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão (Politécnico do Porto).

"Ai Jesus se eles ficam descontentes connosco. Temos que ser os melhores alunos senão não nos tomam a sério", ironizou Mário Soares, reclamando, então, uma "estratégia para fazer o país andar para a frente". Considerando que Portugal "não tem que empobrecer" para pagar as suas dívidas", mas sim "enriquecer", colocou a tónica na criação de postos de trabalho para inverter o elevado desemprego.

Merkel "sorridente e gordinha"

"Se não fizermos crescer a economia real do país e não acabarmos com esta vaga de desemprego que atinge toda a Europa, não vamos subsistir e daqui a um ano estaremos pior" do que estávamos com estas medidas de austeridade, alertou ainda.

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Quantos aos dirigentes europeus, que "não se entendem uns com os outros", as críticas foram sobretudo para Angela Merkel, chanceler alemã.

"A senhora Merkel, com quem não simpatizo", apesar de "ser sorridente e gordinha", tem "uma concepção de vida que deve ter aprendido na Alemanha do Leste quando era dominada por comunistas", criticou o ex-presidente da República, concluindo que a Merkel "tem uma ideia muito estranha para a Europa", nomeadamente quando disse que "os gregos são preguiçosos", resistindo a ajudar financeiramente ao país.

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