Política

Troika diz que programa de ajustamento é da responsabilidade do Governo

Troika diz que programa de ajustamento é da responsabilidade do Governo

Os representantes da 'troika' deixaram, esta segunda-feira, claro aos parceiros sociais que o programa de ajustamento que está a decorrer em Portugal é da responsabilidade do Governo, defendendo a importância de manter o "diálogo político".

Falando à saída da reunião que tiveram com a delegação da 'troika' (constituída por representantes do Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), os parceiros sociais foram unânimes em reconhecer que o encontro não passou de uma mera "audição".

No entanto, as confederações patronais e os sindicatos afirmaram aos jornalistas que o representante da União Europeia, deixou claro que o programa de ajustamento "não é da 'troika', mas sim de Portugal".

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, diz que ao declararem que o programa é da responsabilidade do Executivo português, a 'troika' pretendeu "resguardar-se de eventuais decisões que o Governo possa vir a tomar".

"Colocaram-se numa posição de divisão de responsabilidades", resumiu Vieira Lopes, declarando-se "francamente desiludido" com a reunião.

"Esta reunião foi uma audição. Ouviram o que os parceiros sociais tinham a dizer e não adiantaram nada sobre decisões ou projetos para Portugal", disse.

Segundo o secretário-geral da UGT, João Proença, o representante da Comissão "concluiu com apenas duas notas: apelando ao diálogo político e ao mesmo tempo dizendo que o memorando não é da 'troika', mas de Portugal".

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Para o sindicalista, esta declaração aponta "para uma falha completa da forma como o memorando foi elaborado".

Na abertura dos trabalhos porém, os representantes da 'troika' - que se encontram em Portugal no âmbito da quinta revisão do programa de assistência a Portugal - questionaram os parceiros sobre "alternativas" ao corte de salários na Função Pública.

Os parceiros, por sua parte, deixaram "bem claro que não há margem para mais sacrifícios" e que as alternativas não podem ser novos cortes ou impostos, disse João Proença.

Já o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, afirmou, por sua vez, que, após ouvir a declaração final do representante da Comissão Europeia, concluir que "o que está em marcha é claramente uma política que aponta para mais austeridade".

Durante o encontro, a CGTP defendeu a renegociação da dívida, o prolongamento do prazo para redução do défice e a dinamização da procura interna.

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