Política

Um desafio à "Esquerda acomodada" e 100 milhões para reabilitar

Um desafio à "Esquerda acomodada" e 100 milhões para reabilitar

Com um desafio à Direita e à "Esquerda acomodada" foi como José Soeiro, do BE, se lançou na corrida à Câmara do Porto. Nos próximos quatros anos, propõe investir 100 milhões de euros em reabilitação urbana.

Contra o medo, a rotina e o desalento, o candidato do Bloco de Esquerda lançou, este sábado, uma alternativa: "E se virássemos o Porto ao contrário?". Mas o desafio de José Soeiro é, também, para as outras forças políticas. Porque "desafia a Direita na cidade, para vencê-la" e "desafia a Esquerda que tem estado acomodada".

Escolhendo como palco a Cooperativa Árvore, onde juntou os apoiantes e os coordenadores nacionais do Bloco, o candidato à Câmara explicou que, "nestes 10 anos, o Porto não teve só um péssimo Governo", liderado pelo social-democrata Rui Rio. Teve, também, "uma oposição que nem sempre esteve à altura" na Autarquia.

Por isso, José Soeiro concluiu que, na útlima década, "faltou Esquerda na Câmara do Porto" e promete, por sua vez, "acrescentar esquerda à Esquerda da cidade".

José Soeiro tomou, sobretudo, o PS como alvo das críticas, mas sem referir partidos. E deu vários exemplos para comprovar que a Esquerda não cumpriu o seu papel.

"Por demasiadas vezes, uma parte da Esquerda faltou à oposição que se fazia nas ruas, no concreto das vidas", criticou o candidato do BE.

E essa mesma Esquerda "não esteve à altura quando apoiou o modelo de reabilitação urbana que ficou capturado pela lógica dos negócios imobiliários e não inverteu o declínio", acusou.

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Neste dossiê da reabilitação cabe uma das sete propostas que José Soeiro adiantou hoje. E começou por fazer um balanço negativo do trabalho da Sociedade de Reabilitação Urbana - Porto Vivo, que era liderada por Rui Moreira, agora candidato independente à Câmara. A seu ver, substitui-se o que deve ser uma política pública e um planeamento participado "por um balcão de negócios".

Propondo um programa de investimento de 25 milhões anuais para a reabilitação urbana, nos "próximos quatro anos, defendeu que se recuperem as casas e sejam colocadas para arrendar. "Em 10 anos, a Autarquia recuperará o investimento, não apenas em rendas, mas no repovoamento. E, no entretanto, cria emprego, requalifica o espaço público e densifica a cidade", garante José Soeiro.

Neste domínio, propõe ainda que se "puna fiscalmente" quem deixa os prédios ao abandono. "Que a Autarquia tome posse, requalifique, arrende. E, quando recuperar o que gastou, pode voltar a passá-los aos proprietários".

Outra proposta central passa por suspender de imediato os despejos e os cortes de água e de luz nos bairros.

Quanto à meta eleitoral do BE, o deputado municipal José Castro prometeu a "surpresa" do BE "eleger vereadores". Menos direto, José Soeiro disse querer levar as vozes do descontentamento "à vereação e multiplicá-las na Assembleia Municipal", órgão a que o BE candidata Ana Luísa Amaral.

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