Política

Vítor Gaspar diz que sector privado "não está a ser poupado" nos sacrifícios

Vítor Gaspar diz que sector privado "não está a ser poupado" nos sacrifícios

O ministro das Finanças garantiu, este sábado, que o sector privado "não está a ser poupado" nos sacrifícios impostos, recordando que o privado "começou a ajustar mais fortemente e mais cedo do que o sector público".

Vitor Gaspar respondeu aos militantes sociais-democratas numa conferência sobre o Orçamento do Estado para 2012, organizado pela Distrital do PSD do Porto, tendo-se escusado a prestar declarações à margem aos jornalistas, no dia em que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou que "o Governo mantém abertura se houver evolução do PS" para fazer "alguma modelação" na aplicação de medidas de austeridade com "impacto social mais pesado".

Sobre as eventuais negociações entre Governo e PS em termos de Orçamento de Estado para 2012 não houve qualquer questão por parte dos militantes.

Um dos temas levantados foi o da justiça no processo de ajustamento orçamental, tendo o ministro das Finanças garantido que "os sacrifícios que são impostos pelo programa e pelo Orçamento do Estado para 2012 abrangem todos os portugueses".

"Uma questão que se coloca aqui é saber em que medida o sector privado está a ser poupado destes sacrifícios e a resposta é não está, de todo, a ser poupado por estes sacrifícios", sublinhou, explicando "o sector privado começou a ajustar mais fortemente e mais cedo do que o sector público".

Segundo o ministro, "consequentemente, esse esforço já está a ser absorvido pelo sector privado pelo menos desde 2009, numa altura em que o sector público não só não estava a ajustar como estava a tentar compensar o ajustamento" do privado.

"A equidade social na austeridade tem, por um lado, esta dimensão de que o esforço abrange todos, mas tem, por outro lado, o aspecto de que os mais desfavorecidos e os mais vulneráveis são permanentemente poupados na distribuição deste esforço", enfatizou.

Defendendo que a agenda de transformação estrutural é o elemento "mais importante de todo o programa", Vitor Gaspar considerou que esta "será o fundamento para a capacidade da economia portuguesa crescer e criar emprego".

"A sociedade portuguesa terá que ter uma transformação profunda. A própria sustentabilidade das finanças públicas, a prazo, exige uma transformação estrutural nas administrações públicas mas é preciso ir muito mais longe do que a transformação estrutural do sector público", antecipou.

O ministro quer assim uma aposta nos sectores abertos à concorrência internacional, nas exportações, aumentando "a concorrência em todos os sectores" da economia", defendendo ainda a necessidade de "alterar profundamente o funcionamento de algumas áreas centrais da sociedade, como a justiça".

"Precisamos, no fundo, de usar esta crise como uma oportunidade de mudança que permita à nossa sociedade aprofundar a sua integração na economia europeia e viver de uma forma aberta e concorrencial no quadro da economia global", declarou, admitindo que o caminho que há a fazer "é estreito e difícil".