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Acareação no julgamento do caso Freeport mantém contradições

Acareação no julgamento do caso Freeport mantém contradições

O ex-engenheiro civil da empresa Smith & Pedro e três advogados mantiveram esta terça-feira, no Tribunal do Barreiro, as contradições em relação a uma reunião realizada dois dias antes do segundo chumbo à viabilização do Freeport, em Alcochete.

Em causa está uma reunião realizada a 4 de dezembro de 2001 no escritório da sociedade de advogados Gandarez, Antunes e Oliveira, na qual, segundo João Cabral, ex-engenheiro civil da Smith & Pedro, estes terão pedido uma quantia inicial de dois milhões de contos para, em 48 horas, evitarem o segundo chumbo à construção do 'outlet' de Alcochete.

As declarações ocorreram em mais uma sessão do julgamento sobre o caso Freeport, em que são coarguidos os ex-sócios da empresa de consultoria Charles Smith e Manuel Pedro, acusados de tentativa de extorsão.

No frente-a-frente ocorrido esta terça-feira no Tribunal do Barreiro, João Cabral manteve a versão de que aquela reunião foi solicitada por Albertino Antunes, um dos sócios daquela sociedade de advogados, mas liderada por José Gandarez, sublinhando ter sido esta sociedade a pedir a verba para evitar o chumbo à construção daquele espaço comercial (6 de dezembro de 2001).

Por seu turno, os advogados sustentaram que a reunião foi solicitada por Manuel Pedro, pelo telefone, ao advogado Albertino Antunes - na altura defensor pessoal do coarguido -, com o objetivo de delinear uma estratégia para ultrapassar a inviabilização do projeto.

Enquanto José Gandarez disse nunca ter ouvido falar em qualquer pedido de dinheiro, Albertino Antunes alegou que aquele montante foi referido por Manuel Pedro por estarem "preocupados com o chumbo e por poderem perder o melhor cliente".

O coletivo de juízes e o procurador da República questionaram ainda as quatro testemunhas sobre as várias versões de um memorando a entregar à Freeport inglesa.

Numa destas versões, a quantia referida é de 1.250 milhões de contos. Enquanto os advogados acusam Manuel Pedro de ter enviado esta versão para o escritório, o engenheiro alega que foram os advogados a enviar este documento para a Smith & Pedro, reiterando ter ficado "chocado" com este facto.

Esta terça-feira, o coletivo de juízes admitiu mesmo que perante estas contradições continua sem saber quem pediu a reunião, o dinheiro, quem poderia alterar aquele projeto em 48 horas e por que motivo a Smith & Pedro quis ficar de fora desta proposta.

No final da audiência, o que ficou foi que ao advogados acusaram a Smith & Pedro daqueles factos, enquanto João Cabral disse "não ter dúvidas" de que o dinheiro foi pedido por José Gandarez.

À saída da audiência, João Cabral afirmou aos jornalistas que no tribunal disse "a verdade e só a verdade, doa a quem doer".

Os juízes decidiram prescindir do testemunho do presidente da Freeport à data dos factos, Sean Collidge, prevista para a última segunda-feira, depois da sua segunda falta, disse fonte do Tribunal.

O julgamento está relacionado com o licenciamento do outlet de Alcochete e em causa estão alegadas ilegalidades à alteração da Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo (ZPEET) para a construção do Freeport.

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