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Agressão a adolescente foi premeditada, disse chefe da PSP

Agressão a adolescente foi premeditada, disse chefe da PSP

O chefe da PSP que conduziu a investigação ao caso da adolescente agredida por colegas, cuja gravação vídeo circulou na Internet, considerou esta terça-feira em tribunal que o crime foi premeditado.

Luís Gonçalves justificou a sua opinião com a peritagem aos telemóveis e aos computadores dos arguidos que revelou mensagens escritas a combinar uma reunião para a "confrontação".

O oficial da PSP referiu concretamente uma mensagem escrita e enviada do telemóvel do principal arguido (Rodolfo Santos), dirigido a alguém que as autoridades não identificaram, a dizer que iam buscar a Filipa, referindo-se à jovem que foi agredida.

O caso remonta a Maio deste ano quando uma adolescente foi espancada por outras duas, em Lisboa.

As imagens gravadas em telemóveis foram depois divulgadas através do Facebook.

Na última sessão do julgamento a única agressora com idade para ser julgada, por já ter 16 anos na altura do crime, mostrou-se arrependida, mas garantiu que "não foi nada premeditado".

A hipótese de premeditação foi reforçada hoje com o depoimento de uma testemunha do espaçamento, Bárbara Djaló, 15 anos, que apresentou o caso como um crime encomendado, revelando que ela própria teria sido vítima de uma ameaça semelhante uma semana antes, que não se concretizou porque não a terão "apanhado".

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O depoimento desta adolescente veio também fazer aumentar o número de contradições nos depoimentos, tanto entre os quatro dos seis arguidos que prestaram declarações em julgamento, como nos outros jovens que têm testemunhado.

Bárbara Djaló disse que quem tinha pedido para lhe darem uma tareia teria sido Filipa Teixeira, a vítima das agressões a que assistiu no pátio perto do Centro Comercial Colombo, em Benfica.

A "encomenda" teria sido feita às mesmas duas jovens que protagonizaram o espancamento agora a ser julgado, garantiu.

Quando questionada sobre o motivo porque depois já estava do lado da agredida uma semana depois, tendo sido a única a ajudá-la depois do espancamento, argumentou que Filipa Teixeira lhe pedira entretanto desculpa e que eram amigas desde a infância.

E acrescentou: "Já não era a primeira vez que a Filipa mandava bater-me".

Filipa Teixeira, a agredida, com 14 anos, apresentou também hoje a sua versão dos factos ao tribunal, no Campus da Justiça, em Lisboa, garantindo que nunca disse que a mãe do principal arguido era prostituta, como é acusada pelos restantes réus, mas striper.

"Toda a gente sabia disso e até o Rodolfo [Santos, o filho] dizia que tinha muito orgulho na profissão da mãe, afirmou.

A justificação apresentada para as agressões, tanto pelas duas jovens que a protagonizaram como pelos restantes quatro adolescentes que as filmaram ou assistiram seria a de que a vítima teria dito que mãe de Rodolfo, que filmou e colocou as imagens na rede social Facebook, era prostituta.

No vídeo exibido na sala de audiências ouve-se Filipa Teixeira negar que tenha feito essa afirmação, enquanto é esmurrada e pontapeada pelas duas agressoras.

No final da sessão, tal como sucedera na primeira, à saída do tribunal concentrou um grupo de jovens, aparentemente amigos dos arguidos, que os aplaudiram ruidosamente quando saíram do edifício, ao ponto de agentes da PSP os terem obrigado a dispersar pelo barulho que estavam a fazer.

A terceira sessão do julgamento ficou marcada para 10 de Dezembro, às 15 horas.

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