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"Anonymous" e "Tugaleaks" alvo de operação da Judiciária

"Anonymous" e "Tugaleaks" alvo de operação da Judiciária

Sete pessoas foram detidas esta quinta-feira pela Polícia Judiciária por crimes de sabotagem informática, dano informático, acesso ilegítimo e associação criminosa envolvendo o acesso a diversos sistemas informáticos do Estado e também de empresas do setor privado. Entre os detidos está Rui Cruz, responsável pela página "Tugaleaks", e membros do grupo "Anonymous".

A Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou que a operação envolveu duas dezenas de buscas domiciliárias e uma a um órgão de comunicação social. Presume-se que se trate se do "Tugaleaks", uma página internet que se apresenta como órgão de comunicação social inspirado no "Wikileaks" de Julian Assange, já que o seu responsável está entre os detidos.

Em várias páginas online é dado como certo que entre os detidos estão membros do grupo "Anonymous", sendo um dos detidos uma mulher. Um texto publicado ao final da manhã afirma que se trata de "prisões políticas" de "ativistas digitais".

As detenções ocorreram após a Diretoria de Lisboa da PJ, em articulação com o Gabinete do Cibercrime da Procuradoria-Geral da República (PGR), desenvolver em vários pontos do território nacional, uma vasta operação de combate à criminalidade informática e tecnológica, designadamente à atividade ilícita conhecida como "hacktivismo".

De acordo com a PGR, entre os factos em investigação encontram-se os ataques informáticos a servidores que alojam sites do Ministério Público, da Polícia Judiciária, do Conselho Superior da Magistratura, da EDP e da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista.

Na operação "Caretos" participaram 70 funcionários especializados, tendo a mesma visado apurar as responsabilidades criminais de grupos de cidadãos envolvidos, de forma reiterada, em crimes daquela natureza.

Segundo a PJ, a investigação iniciou-se em abril de 2014, tendo-se, agora, após recolha de informação e de material probatório, desenvolvido com a realização de 24 buscas domiciliárias e a detenção de sete presumíveis autores, um deles de sexo feminino.

Os detidos têm entre os 17 e os 40 anos e residem nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Serão agora submetidos a primeiro interrogatório judicial, no qual serão sujeitos à aplicação das medidas de coação adequadas.

Além das detenções, foram, ainda, constituídos 14 arguidos, face ao seu envolvimento nos factos delituosos.

A operação permitiu a apreensão de dezenas de sistemas informáticos, que serão objeto de análise forense digital a efetuar pelo departamento especializado da Polícia Judiciária.

"A atividade destes grupos centrava-se no ataque frequente e lesivo a sistemas informáticos institucionais, públicos e privados, sendo que as consequências práticas do cometimento destes tipos de crimes conduzem à inesperada inoperabilidade institucional dos mesmos, com os prejuízos daí resultantes", refere a PJ

Nos casos de sistemas informáticos privativos do Estado Português, os ataques provocaram, segundo a PJ, uma "clara afetação da sua imagem, quanto a matérias de fiabilidade e segurança".

"Este tipo de criminalidade tem, ainda, um efeito erosivo sobre a confiança dos cidadãos nas estruturas nacionais da rede internet, prejudicando a sua credibilidade, nível de segurança e funcionamento regular, bem como comprometendo uma maior e mais segura adesão aos serviços nas redes de informação, processamento e comunicação", conclui aquela polícia.

A PJ revela que prossegue as investigações, para apurar a natureza e a extensão das ligações criminosas destes grupos.