Caso Freeport

Charles Smith confirma versão de Manuel Pedro sobre pedido de verbas

Charles Smith confirma versão de Manuel Pedro sobre pedido de verbas

Charles Smith, coarguido no âmbito do processo Freeport, corroborou, no Tribunal do Barreiro, a versão de Manuel Pedro da existência de um pedido de verbas para a viabilização do "outlet", feito pelo advogado José Gandarez.

Charles Smith e Manuel Pedro, ex-sócios da empresa de consultoria Smith & Pedro, são coarguidos no âmbito do processo Freeport e estão acusados de tentativa de extorsão.

Questionado pelo coletivo de juízes, presidido por Afonso Andrade, Charles Smith disse que a verba foi pedida por aquele advogado num jantar/reunião realizado em Alcochete, a 4 de dezembro de 2001, no qual estiveram presentes as mesmas pessoas mencionadas, de manhã, por Manuel Pedro, no seu depoimento: os advogados Albertino Antunes e Alexandre Oliveira, Manuel Pedro e o antigo funcionário da Smith & Pedro João Cabral, além de José Gandarez e do próprio Charles Smith.

Smith disse que o advogado "tinha credibilidade" e mantinha "relações" com ministros.

Quando interrogado pelo juiz-presidente, Charles Smith disse ainda que o montante do dinheiro pedido se cifraria em "1,25 milhões de contos".

Sobre a substituição do gabinete de arquitetura Promontório pelo de Capinha Lopes, Charles Smith disse ter recebido indicações do então presidente da Freeport, Sean Colligde.

De acordo com Smith, o presidente da Freeport soubera que a Promontório "trabalhava para a concorrência, para a Sonae", executando projetos similares, não entendendo o motivo por que esses eram aprovados e, o deles, rejeitado.

Smith disse ainda que a substituição do gabinete de arquitetura só se verificou depois do segundo chumbo do projeto, tendo sido sugerida a Manuel Pedro pelo então presidente da Câmara de Alcochete, o socialista José Inocêncio.

Charles Smith admitiu que ele e o sócio contactaram Júlio Monteiro, tio de José Sócrates, para este obter uma reunião "ao mais alto nível", que conduzisse à viabilização do centro comercial em Alcochete. O encontro viria a realizar-se em janeiro de 2002.

Sobre as 80 mil libras pedidas por Charles Smith ao diretor comercial do Freeport Gary Russel, Smith disse que era para pagar ao seu "contabilista, 'Pinóquio'", para custear protocolos e a obtenção de licenças, referiu.

Confrontado pelo coletivo de juízes sobre o depoimento de Alan Perkins, antigo administrador da Freeport, que, a 22 de maio, revelou ao tribunal que "Pinóquio" era o então ministro do Ambiente José Sócrates, Charles Smith recusou-se a responder.

Uma das contradições do depoimento de Charles Smith em relação ao testemunho de Manuel Pedro teve a ver com a pessoa mencionada no processo como Inocência: enquanto Manuel Pedro disse não saber quem era, Charles Smith disse tratar-se do então presidente da Câmara de Alcochete José Dias Inocêncio, sublinhando que o "Gordo" era Manuel Pedro.

Durante a manhã, Manuel Pedro rejeitou ter qualquer relação de amizade ou privilegiada com José Inocêncio.

Quanto ao documento enviado aos gestores do Freeport Gary Russel e Jonathan Rawnsley, sobre a necessidade de "pagar verbas substanciais", o arguido disse ao coletivo de juízes não se recordar.

Sobre o documento em que dizia ser "necessário manter boas relações com o ministro", Charles Smith disse ter-se "enganado": "Queria dizer Ministério".

Charles Smith negou ainda, tal como Manuel Pedro, ter cometido qualquer tentativa de extorsão ou ter efetuado pagamentos ilícitos.

O julgamento do caso Freeport prossegue no dia 16, com as alegações finais.

O processo Freeport teve origem em alegadas ilegalidades na alteração da Zona de Proteção Especial do Estuário do Tejo (ZPET), para a construção do centro comercial.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG