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Coimbra no centro das ligações no caso com vistos dourados

Coimbra no centro das ligações no caso com vistos dourados

As informações vindas a público após a operação levada a cabo pela PJ e pelo Ministério Público, esta quinta-feira, deixaram a nu ligações familiares entre alguns dos suspeitos e um outro elo comum: Coimbra.

Não por acaso, a Diretoria do Centro da Polícia Judiciária teve de mobilizar várias equipas para realizar uma série de buscas em Coimbra. A mais importante teve lugar num sexto andar de uma das zonas mais caras da cidade, o bairro da Solum, onde regressa de Lisboa, aos fins de semana, o presidente do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), António Figueiredo, para se encontrar com os filhos que mantêm residência em Coimbra.

Este não é o caso de Ana Luísa Figueiredo, filha de António e que não chegou a ser detida, esta quinta-feira, como indicavam as primeiras informações postas a circular. Foi sócia-fundadora da suspeita Golden Vista Europa, posição a que terá entretanto renunciado. Nesta empresa de Cascais, onde foram detidos três sócios de nacionalidade chinesa, Ana apresentou como residência a mesma do pai, em Coimbra, mas já lá não mora. Inequivocamente suspeita nesta investigação sobre os vistos "gold", é ainda Maria Antónia Anes, que é secretária-geral do Ministério da Justiça e teria a função de recolher e passar informações sobre a investigação.

Depois de se licenciar na Faculdade de Direito de Coimbra, em 1981, António Figueiredo dividiu o escritório de advocacia, na baixa de Coimbra, com Luciano Oliveira, ex-número dois do SIS (Serviço de Informação de Segurança), e foi aí que acolheu, também, o então advogado estagiário João Salgado, hoje administrador da Coimbra Editora.

A sede desta empresa também foi alvo das buscas da Polícia Judiciária, alegadamente por causa de duas encomendas de livros jurídicos para Angola que, segundo João Salgado, têm a coordenação do IRN e são fruto da cooperação entre Portugal e aquele país, na área da justiça.

Pelo mundo jurídico de Coimbra passou, também, aquele que é, porventura, o principal arguido deste processo, o diretor do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Manuel Jarmela Palos, oriundo da zona da Guarda, licenciou-se na Faculdade de Direito de Coimbra e, mais tarde, viria a assentar novamente arraiais na cidade, durante mais cinco anos, enquanto diretor regional do Centro do SEF.

Mas nem só de suspeitos se pode falar, a propósito de Coimbra. A própria titular do inquérito do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Susana Figueiredo, é natural da cidade. E a Polícia Judiciária, que coadjuva aquele departamento do Ministério Público nesta investigação, é dirigida por outros dois homens de Coimbra, Almeida Rodrigues e Pedro do Carmo.

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