segurança

Deu-lhe um "apagão" e não se recorda como esfaqueou a mulher 37 vezes

Deu-lhe um "apagão" e não se recorda como esfaqueou a mulher 37 vezes

Um empreiteiro de 38 anos acusado de esfaquear mortalmente a sua companheira, de 33, por alegada infidelidade conjugal, confessou, esta segunda-feira, ao tribunal da Maia a autoria do crime, mas disse não se lembrar das circunstâncias concretas do crime.

"Deu-me um apagão", argumentou o arguido, que momentos antes explicara, com todo o detalhe, a sua versão de factos anteriores ao homicídio cuja autoria assumiu.

O caso ocorreu em 4 de novembro do ano passado, altura em que, segundo o Ministério Público, o empreiteiro atacou a companheira com uma faca de cozinha, após uma discussão num dos quartos da residência comum. Na altura, encontravam-se noutras dependências da habitação comum os dois filhos do casal, um de nove anos e outro de 17.

A acusação diz que o homem atingiu órgãos vitais da vítima - que padeceria de esclerose múltipla - com 37 facadas.

O arguido e a vítima estavam separados "apenas no papel", devido a dívidas fiscais, mas mantinham uma relação conjugal análoga à do casamento, confirmou o homem.

Perante um coletivo presidido pelo juiz António Teixeira, o arguido disse que, numa primeira fase, só questionava as saídas frequentes da mulher com uma amiga. "Pensava que era ela que lhe estava a virar a cabeça e não estava a gostar", declarou.

Segundo a sua versão, as desconfianças quanto à alegada infidelidade conjugal surgiram quando a mulher começou a multiplicar troca de mensagens de telemóvel e não quis partilhar com ele o seu conteúdo.

Acrescentou que as suspeitas se adensaram quando recebeu uma chamada da sogra, pedindo-lhe alegadamente para partir o telemóvel da vítima, de que ele veio a apoderar-se para confirmar o teor de algumas das mensagens.

A sogra - que reclama uma indeminização ao arguido, tal como os filhos do casal - alegou não se recordar do preciso teor da conversa alusiva que ambos mantiveram a esse respeito.

A mulher também garantiu ao tribunal que nada sabia quanto à relação extraconjugal da filha.