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Dono de pensão mata hóspede por dívidas e guarda corpo durante seis meses

Dono de pensão mata hóspede por dívidas e guarda corpo durante seis meses

O dono de um restaurante/pensão da Baixa do Porto foi detido pela PJ por matar um hóspede, meter o corpo num saco, fechá-lo com fita adesiva e guardá-lo numa arrecadação durante seis meses. Tudo por causa de dívidas.

O cheiro nauseabundo detetado numa arrecadação do último piso do edifício que abriga o restaurante/hospedaria "O Serrano", na Rua do Loureiro, no Porto, levou à descoberta do cadáver de Joaquim Fernando da Silva Pereira, de 57 anos, em adiantado estado de decomposição. Português outrora emigrado no Brasil, morou ali num quarto até desaparecer, no passado mês de março.

O cadáver foi encontrado, ao início da noite de anteontem, pelos Sapadores do Porto chamados pela PSP, alertada por um homem que recebera autorização do dono do restaurante para guardar uma bicicleta na arrecadação. Esta dependência, há muito não utilizada, é separada por um corredor, com uma dezena de metros, do quarto 34, que tivera como hóspede Joaquim e onde foram encontrados vestígios de sangue.

Horas antes de ser detido por inspetores da Polícia Judiciária do Porto, pela autoria do crime, Fernando Alves, de 62 anos, patrão do restaurante e da hospedaria que ocupa os andares acima, tinha uma história muito diferente para contar. "O Joaquim Fernando desapareceu em março, sem pagar os 750 euros que devia, entre alugueres e refeições", contou, ao JN, enquanto mostrava a arrecadação onde o cadáver tinha estado.

No entanto, o dono da pensão não se limitou a ficar chateado. Porque Joaquim "já fizera o mesmo noutras pensões da cidade", Alves disse que até lançou "um alerta" na zona para "ver se alguém o localizava para receber a dívida". Mas "ninguém, dos que ele frequentava, prostitutas e toxicodependentes, conseguira saber dele", lamentou.

Fernando Alves também não escondeu o que sentia por Joaquim, um "hóspede incómodo". "Além de me ficar a dever, passava a vida a arranjar problemas e levava para o quarto tudo o que era prostituta ou prostituto. E drogados. E lá dentro faziam um barulho dos diabos que incomodava toda a gente", queixa-se. Além disso, diz ainda, "era muito agressivo e até estava para ser julgado por bater num polícia. Passava a vida a provocar os clientes e tentou agredir um com um extintor". Fernando Alves contou ainda saber que "ele estava a ser vigiado pela PSP", alegadamente por suspeita de "tráfico de droga".

Toda estas queixas terão sido mais do que suficientes para deixar a Judiciária desconfiada e, ao fim do dia, apurou o JN no local, Fernando Alves foi mesmo detido. Hoje, será levado a tribunal para ser confrontado por um juiz com os resultados da investigação.

*COM ALEXANDRE PANDA