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"Dux" João Gouveia faltou ao debate instrutório sobre tragédia do Meco

"Dux" João Gouveia faltou ao debate instrutório sobre tragédia do Meco

O "dux" da Universidade Lusófona, João Gouveia, faltou, esta segunda-feira, ao debate instrutório sobre a morte de seis jovens na praia do Meco, que decorre no Tribunal de Setúbal. Pai do único sobrevivente da tragédia, justifica ausência do filho, que diz ser "o mais interessado em esclarecer a verdade".

O único arguido do processo, João Gouveia, é também o único sobrevivente da tragédia que causou a morte dos seis jovens, dois do sexo masculino e quatro do sexo feminino, na praia do Meco, concelho de Sesimbra, no distrito de Setúbal.

João Gouveia, pai do "dux" João Miguel Gouveia, confirmou aos jornalistas que o filho não iria estar presente na audiência, mas não revelou o motivo que levou o filho a faltar ao debate instrutório, esta segunda-feira, no Tribunal de Setúbal. "Não foi ele que tomou essa decisão. Mais para ao final da audiência ficarão a saber porquê, disse, recusando a ideia de haver uma estratégia de silêncio.

"A estratégia foi sempre prestar todos os contributos para o apuramento da verdade, no lugar certo e junto das pessoas competentes", disse. "O apuramento da verdade é o que mais interessa ao João e à família e também aos familiares dos jovens que morreram", disse o pai do jovem.

"Durante meses a fio, sem invocar ser arguido, o meu filho disponibilizou-se para prestar todos os esclarecimentos possíveis", disse João Gouveia, pai. Fê-lo através da irmã, "num momento em que ainda estava bastante fragilizado", mas "depois isso deixou de ser possível", em face das acusações públicas e condenações na praça pública.

João Gouveia disse "respeitar demasiado a dor dos pais e a morte dos jovens para entrar em polémicas" e garantiu, ao contrário do que dizem alguns familiares das vítimas, que o filho esteve sempre disposto a falar. "Pouco depois da tragédia, falou com a mãe de uma das vítimas", revelou o pai de João Miguel Gouveia.

"Parece-me que a investigação de oito meses foi tão exaustiva e que, com clareza, ilibou completamente qualquer tipo de situação menos adequada. Para além do drama moral, psicológico, que é ver partir os seus amigos, poder ele também ter partido, e agora ao fim deste tempo assistir a este tipo de situação", disse o pai de João Gouveia.

"Transformar um drama real num drama de faca e alguidar é horrível. Construir notícias com base em todo o tipo de especulações, mentiras e falsidades não ajuda ao apuramento da verdade", acrescentou João Gouveia, pai.

O inquérito instaurado na sequência da morte dos seis alunos da Universidade Lusófona de Lisboa tinha sido arquivado pelo procurador do Ministério Público do Tribunal da Almada, mas o advogado das famílias das vítimas pediu a abertura de instrução, pretensão acolhida por um juiz do Tribunal de Setúbal.

Em novembro do ano passado, o advogado Vítor Parente Ribeiro avançou com um incidente de recusa do juiz de instrução do processo, por alegada proximidade entre este magistrado e o procurador da República que arquivou o inquérito, pretensão que foi recusada pelo Tribunal da Relação de Évora.

Embora ainda tivessem a possibilidade de recorrer da decisão, os familiares decidiram aceitar a decisão do Tribunal da Relação de Évora e prescindir dos 30 dias que tinham para apresentar recurso, o que permitiu ao juiz do processo, Nélson Escórcio, marcar o debate para este dia 2 de fevereiro.

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