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Economista plagiado por Baptista da Silva não avança para Tribunal

Economista plagiado por Baptista da Silva não avança para Tribunal

O ex-economista do Banco Mundial Martin Ravallion, cujo artigo terá sido plagiado pelo alegado consultor da ONU Artur Baptista da Silva, disse à Lusa "que este tipo de burla não é aceitável", mas não pensa agir legalmente nesta altura.

Artur Baptista da Silva deu várias entrevistas à comunicação social, apresentando-se como coordenador de um suposto Observatório Económico e Social criado no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), informação que se veio a revelar falsa.

O alegado economista apresentou ainda um trabalho intitulado "Growth, Inequality and Poverty -- Looking Beyond Averages", assinado por Artur Baptista da Silva, PhD in Social Economics (Doutorado em Economia Social) e U. N. Coordinator Advisor (consultor da ONU), com o qual teria ganho o prémio Feelings da Unesco, mas que é na realidade da autoria de Martin Ravallion, ex-diretor do departamento de investigação do Banco Mundial e o prémio em causa não existe.

Em declarações à Agência Lusa, o economista australiano Martin Ravallion - que dedicou a sua carreira ao estudo da pobreza em países em vias de desenvolvimento e no desenvolvimento de políticas de combate à pobreza - explicou que só recentemente tomou conta deste plágio e que nunca sequer tinha ouvido falar em Artur Baptista da Silva.

"Eu não conheço Artur Baptista da Silva nem tenho qualquer conhecimento sobre quem é para além do que tenho ouvido nos últimos dias. Nem conheço as circunstâncias ou como o Sr. Silva beneficiou deste plágio", explicou o economista, que se retirou recentemente do cargo de diretor do Departamento de Investigação do Banco Mundial.

"Apesar de, na minha opinião, este tipo de burla não ser aceitável, não tenciono avançar com qualquer ação legal nesta altura", explicou ainda Martin Ravallion.

O economista explicou ainda que o artigo em causa foi escrito no âmbito das suas funções no Banco Mundial e não como uma tese de doutoramento, como Artur Baptista da Silva alegava ser no seu caso. Os dois textos apresentam apenas algumas diferenças, em especial ao nível da formatação, com o texto de Artur Baptista da Silva a apresentar alguns erros ortográficos.

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Fonte oficial do Banco Mundial garantiu ainda à Agência Lusa que o nome de Artur Baptista da Silva não consta de nenhuma das suas bases de dados relativas a trabalhadores ou colaboradores, ao contrário do que o alegado economista terá dito.

Um representante das Nações Unidas já tinha confirmado também que Artur Baptista da Silva, que se fazia passar por consultor da ONU, não está ligado à instituição e que o logótipo usado nos cartões-de-visita está desatualizado.

Artur Baptista da Silva, que afirmava ser também consultor do Banco Mundial e professor de Economia Social da Milton Wisconsin University, uma universidade que já não existe, participou também como orador convidado num debate organizado pelo International Club de Portugal sobre a crise europeia.

A associação admite agora recorrer aos tribunais, caso se comprove ter sido enganada por um falso especialista.

Num "esclarecimento" enviado esta quinta-feira à agência Lusa, Artur Baptista da Silva apresenta-se agora como colaborador "voluntário" da ONU e admite ter cumprido pena de prisão por ter atropelado mortalmente, em 2002, uma "cidadã septuagenária quando circulava (...) à velocidade de 35 Km/hora". Admite igualmente ter sido condenado "por factos ocorridos há mais de 30 anos, enquanto administrador de uma empresa internacional".

Artur Baptista da Silva está a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República.

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