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Ex-bancário limpou contas bancárias antes de matar mulher, filha e neta

Ex-bancário limpou contas bancárias antes de matar mulher, filha e neta

Francisco Esperança esvaziou as contas bancárias da família antes de matar a mulher, a filha e uma neta de quatro anos à catanada, dentro de casa, em Beja, deixando um cenário de horror. Ninguém se apercebeu de nada e as vítimas podem ter sido drogadas.

Francisco Esperança, ex-bancário, 56 anos, terá já confessado a autoria do triplo homicídio às autoridades e será esta quarta-feira levado a tribunal. Os corpos mutilados da mulher, Benvinda (53 anos), da filha, Cláudia (28 anos) e da neta, Mariana (quatro anos), foram descobertos na noite de segunda-feira, depois de o homicida se ter entregue às autoridades. Tinha recebido a Polícia a tiro e só se rendeu ao fim de três horas. Num dos quartos, na cama de casal, estava Benvinda e no outro, abraçadas, estavam Cláudia e Mariana.

O grande desafio das autoridades é agora encontrar uma explicação para um crime tão hediondo. É por isso que se torna importante o facto de Francisco Esperança ter levantado - presumivelmente horas antes de ter cometido o crime, na manhã da passada quarta-feira -, das dependências do Montepio Geral, todo o dinheiro que tinha numa das contas daquele banco.

O JN sabe que, no dia anterior, o ex-bancário movimentou via internet duas contas a que não podia aceder ao balcão e passou o dinheiro para uma terceira. Pôde então levantar todo o dinheiro sem levantar suspeitas.

Ex-presidiário por causa de um desfalque no banco onde trabalhou, dado a problemas com o álcool nos últimos tempos e endividado ao ponto de colocar a casa à venda, segundo quem o conhecia ,"não servem de explicação" para a população de Beja, "incrédula" com o "horrendo crime". Mas as movimentações do dinheiro indiciam que os problemas financeiros podem ter sido o gatilho para a saga homicida.

Tudo aponta para que o crime tenha ocorrido na tarde/noite da passada quarta-feira. Nesse dia Francisco avisou Ana - a empregada da loja de lingerie da mulher - de que "a família ia sair de Beja e gozar uns dias de férias". À tarde foi ao infantário buscar a neta, justificando que "a mulher e a filha estavam em casa". Na quinta-feira voltou à escola para avisar que a menina faltaria nos próximos dias "por estar adoentada". Nesta altura já as três vítimas estariam mortas. Todos os animais da casa foram também chacinados. Um funcionário da EDP acredita que "na quinta-feira já estaria tudo morto". "Um colega foi contar a luz, tocou a campainha e ninguém respondeu", afirmou ao JN.

Vítimas drogadas?

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Ninguém se apercebeu dos crimes, nem ouviu gritos, o que pode indiciar que as vítimas foram drogadas, hipótese que é considerada pelas autoridades.

Esperança deslocou-se a Lisboa e ficou instalado num hotel da Praça de Espanha, junto ao IPO, opde onde se deslocava para fazer radioterapia um cancro nos intestinos. Pedro, namorado de Cláudia, estranhou o facto de ninguém atender os telefones na casa da família e chegou a falar com Francisco, mas as respostas deste não o convenceram, tendo feito uma queixa numa esquadra da PSP de Lisboa, pelo desaparecimento das mulheres. Só então as autoridades se viraram para a possibilidade de algo de grave ter acontecido. A tragédia confirmou-se na segunda-feira.

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