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Falha principal da investigação ao "estripador" foi de ordem técnica

Falha principal da investigação ao "estripador" foi de ordem técnica

O criminologista Barra da Costa, que acredita ter encontrado o "estripador de Lisboa", considera que a falha principal da investigação destes crimes foi de "ordem técnica", mas também o afastamento de quem na altura podia ter chegado ao assassino.

"A falha principal foi de ordem técnica", uma vez que "não havia ainda condições para analisar todos os elementos, nomeadamente biológicos", disse Barra da Costa, em entrevista à agência Lusa.

O investigador criminal elaborou o perfil do autor das mortes de três prostitutas, em 1992 e 1993, o qual consta agora do livro "Perfis Psicocriminais -- Do Estripador de Lisboa ao Profiler", que está a chegar às bancas.

Da exaustiva consulta dos processos, Barra da Costa encontrou dados que considera novos, os quais o terão conduzido ao criminoso, que, afirma, "está vivo", mas não pode ser condenado, pois os crimes já prescreveram.

Barra da Costa acredita que "o coordenador da investigação, João de Sousa, chegaria lá, caso não tivesse sido (mal) afastado".

"O falhanço da investigação está lá, ninguém o retira", disse, lembrando algumas particularidades da investigação criminal nos anos dos crimes.

"Estávamos em 1992, anos antes tinha entrado em vigor um novo Código de Processo Penal, o Ministério Público preparava-se -- como fez -- para invadir a PJ e transformar os investigadores da PJ em escriturários, que foi o que aconteceu até hoje".

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Depois, prosseguiu, o processo andou por aí, em mãos indevidas, até que o MP "ficou com ele numa gaveta, quando estes processos devem ser mantidos na PJ para que possam ser consultados e comparados com qualquer caso que aconteça em Portugal ou no estrangeiro".

"Há incompetência técnica e estrutural de quem superintende a investigação criminal em Portugal: o Ministério Público", acusou.

Em relação ao crime, o criminologista diz que este é de "natureza sexual".

"Estamos na presença de um serial killer meio atípico, que não retira daquele tipo de crime algo que se prenda essencialmente com a sexualidade. Ele tortura, causa terror, dor, mas não tira disso prazer, pois não há uma única relação sexual com as vítimas. Matar não satisfaz as suas necessidades, que são de caráter compulsivo, e por elas vai para além do homicídio, para pôr em prática as suas fantasias de cariz sexual".

"O prazer sexual dele vem do domínio. Do poder sobre a pessoa e de poder estripá-la, sempre viva. Não é sádico, porque torna as vítimas inconscientes e nessa fase ainda produz o estripamento, um ritual que é a sua assinatura, levando depois órgãos, os troféus. É um assassino por luxúria, hedonista".

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