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Famílias vão recorrer do arquivamento do inquérito à tragédia no Meco

Famílias vão recorrer do arquivamento do inquérito à tragédia no Meco

O Ministério Público arquivou o inquérito à morte de seis jovens na praia do Meco, concluindo ter sido um acidente. O advogado das famílias diz que ainda não foi notificado, mas, a ser verdade, irá recorrer da decisão.

O "Diário de Notícias" refere, esta sexta-feira, que o Ministério Público (MP) de Almada concluiu que foi um acidente e que não pode ser imputada qualquer responsabilidade criminal ao único sobrevivente da tragédia, João Gouveia, devendo o despacho de arquivamento ser divulgado nos próximos dias.

O advogado das famílias das vítimas do Meco, Vítor Parente Ribeiro, disse à agência Lusa que ainda não foi notificado do arquivamento do processo, mas que, a ser verdade, irá recorrer da decisão.

"O correio de hoje já chegou e não temos qualquer notificação do Tribunal de Almada. Até ao momento continuamos como estávamos há cinco meses, sem qualquer conhecimento de elementos do processo", disse Vítor Parente Ribeiro.

O advogado admitiu não ter ficado surpreendido com a decisão. "O MP partiu para este processo com esta convicção e ideia formada [acidente]. Quando isto acontece é muito complicado depois alterar as conclusões do processo. [A investigação é feita] em função de uma conclusão antecipadamente determinada", frisou o advogado.

Também o pai de uma das seis vítimas da tragédia na praia do Meco disse não ter ficado surpreso com o arquivamento do processo. "Surpresa não foi. Já devia ter sido há mais tempo, mas nós [pais] avançámos com um processo contra João Gouveia [o único sobrevivente] e terceiros. Nós vamos recorrer", disse António Soares, pai de Catarina Soares, uma das jovens que morreu na praia do Meco.

A tragédia aconteceu em dezembro do ano passado, quando seis jovens foram arrastados por uma onda na praia do Meco, Sesimbra, tendo havido apenas um sobrevivente, João Gouveia.

O caso foi, quase de imediato, ligado a rituais de praxes, já que todos os jovens pertenciam à Comissão Oficial de Praxes Académicas da Lusófona (COPA).

Em fevereiro, os pais dos seis jovens que morreram anunciaram que iam interpor uma "queixa-crime contra o sobrevivente, João Gouveia", e pediram à PGR que os ajudasse "a descobrir a verdade".

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