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Dona de café morta a tiro ao tentar evitar homicídio de cliente

Dona de café morta a tiro ao tentar evitar homicídio de cliente

Um homem assassinou a tiro a dona de um café e um ex-amigo, em Pêro Negro, Sobral de Monte Agraço. Fugiu, mas foi preso depois de tentar suicidar-se. Quis vingar-se dele e a mulher foi morta ao fazer-lhe frente.

Um grupo de crianças brincava num descampado, por volta das 10.20 horas de sexta-feira, quando viu um homem de caçadeira na mão passar. Um dos meninos, mais atrevido, perguntou-lhe se andava a caçar pombos e a resposta deixou antever o duplo homicídio ocorrido minutos antes. "Vim para matar dois pombos e já os matei", terá dito o homicida antes de se meter num carro e desaparecer.

No café "A Beta" jazia já Eduardo Santos, de 63 anos; Verónica Fonseca, de 56, lutava pela vida, enquanto outros cinco clientes gritavam de terror. A mulher acabou por falecer no Hospital de Loures.

Fonte policial disse ao JN que os dois homens tinham sido amigos até que, há cerca de sete meses, se zangaram. A Polícia Judiciária investiga se essas divergências foram motivadas por questões passionais ou económicas.

Segundo testemunhas, tudo aconteceu muito rapidamente. O homicida, que não vive naquela localidade, estacionou o automóvel a 500 metros do local e dirigiu-se para o café. Colocou um pé lá dentro e sem dizer palavra disparou contra o peito de Eduardo Santos, que estava sentado numa das mesas.

Verónica levantou-se de rompante de uma outra mesa, mais próxima da porta, e tentou fazer-lhe frente, sendo também por ser atingida, no abdómen. Acabou por morrer no hospital de Loures.

Tentou suicídio em casa

"Não conseguimos entender o que se passou. A Verónica é tão boa pessoa e não fazia mal a ninguém", soluçava, em lágrimas, Maria Celeste, vizinha da vítima. Nenhum dos clientes que ali se encontrava identificou o atirador. Já Mónica Miranda, amiga da mulher que morreu, não escondia a surpresa. "Ele [Eduardo] era cliente assíduo do café, mas também não era de arranjar problemas com ninguém", destacou, afastando a hipótese de as duas vítimas tivessem qualquer relacionamento amoroso e que isso tenha motivado o ataque. "Nada disso, ele é casado e apenas um cliente normal. Ela é viúva há anos e levava uma vida pacata".

Depois de fugir do local, o autor dos disparos dirigiu-se à sua residência, na zona do Milharado, Malveira, Mafra. Foi lá que as autoridades o encontraram, depois de ter tentado suicidar ingerindo veneno. O homicida, de 65 anos, natural da Roçada, Mafra, ainda conseguiu falar com os inspetores da PJ, mas depois vomitou sangue e desmaiou.

Ao final do dia de ontem, ainda se encontrava internado em estado muito grave no hospital de Loures.