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"Esta data é uma ironia do destino", diz mãe do Rui Pedro

"Esta data é uma ironia do destino", diz mãe do Rui Pedro

Filomena Teixeira, mãe do Rui Pedro, que desapareceu faz hoje precisamente 15 anos, vai conhecer a decisão do Tribunal da Relação do Porto sobre o recurso que apresentou para contestar a absolvição de Afonso Dias do crime de rapto, pelo tribunal de Lousada.

"É uma ironia do destino terem escolhido precisamente esta data. É um dia em que estou sempre mais deprimida e ainda ter de esperar por uma decisão nesse dia, vai ser uma dupla dor. Espero que esta decisão não seja mais um motivo para sofrer", disse a mulher ao JN.

Filomena, que há 15 anos desespera por conhecer o paradeiro do filho, continua a ter esperança em saber o que aconteceu a 4 de março de 1998. "O mais difícil é a saudade e a ansiedade de não sabermos o que é feito dele. O pior é a dúvida", explica a mulher, para quem, apesar de ter sido absolvido no tribunal de Lousada, Afonso Dias é o eterno suspeito. "Ele devia falar. Dizer o que se passou. Quando olho para ele nos tribunais, arrepio-me toda. Mas, para além de ter ou não um culpado, espero não acabar os meus dias sem saber o que aconteceu ao meu filho. Infelizmente, o meu pai lutou toda a vida para saber o que aconteceu, mas morreu sem saber. Não queria que me acontecesse o mesmo, mas para isso o Afonso tem de falar", acredita Filomena, que continua a passar muitas noites, horas a fio, no quarto de Rui Pedro que hoje terá 26 anos.

Nesta altura, a família tem mais um dilema: e se a decisão da Relação não der provimento ao recurso... se o pedido para repetir o julgamento é negado? "A minha dúvida é se a Relação é a última chance. Não sei o que irei fazer a seguir, mas nunca iremos desistir de saber a verdade, de saber o que aconteceu ao meu filho", garante Filomena Teixeira.

A mãe de Rui Pedro tem recebido muita ajuda da Associação Portuguesa de Crianças Desaparecidas, através da qual consegue, com outros pais que não sabem dos filhos, trocar experiências. "Falamos, tentamos perceber como podemos superar a dor e partilhamos", afirma.