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Fica dois dias com a mulher que matou antes de se suicidar

Fica dois dias com a mulher que matou antes de se suicidar

Nos últimos cinco anos, Cristina Maria Pereira Pinto Vieira, 40 anos, foi agredida quase diariamente pelo companheiro Joaquim Gaspar Faria Moreira, 32 anos, na casa que partilhavam. Esta segunda-feira, cerca das 19 horas, foi encontrada morta na cama. Joaquim estava também sem vida, com o pescoço preso a uma corda.

Tudo indica que o homem espancou a mulher até à morte e deixou-a na cama, mais de 48 horas, até se enforcar.

Ontem, os familiares estranharam a ausência do casal. E foi o filho mais velho de Cristina, de 24 anos, o senhorio do casal e ainda um familiar que arrombaram a porta da habitação de Cernadelo, em Lousada, encontrando um cenário macabro.

"Estava combinado ela vir a minha casa fazer umas horas de limpeza, no sábado. Como não apareceu, fui à casa de familiares deles a Caíde de Rei, que me disseram que já não viam o casal há 15 dias. Hoje [ontem] telefonei à GNR e foi quando soubemos o que se tinha passado", explicou, ao JN, Alfredo Leal Faria, senhorio do casal.

Não recolheram o pão

Também os vizinhos estranharam o facto de ver um saco com pão, diariamente deixada pelo padeiro à porta de casa de Cristina e Joaquim. Ontem, ninguém levantou o pão e não se ouviram os barulhos do costume.

Na passada sexta-feira, os vizinhos ouviram gritos mais fortes que o habitual, pelo que é possível que o homicídio tenha acontecido quatro dias antes dos cadáveres serem encontrados. No sábado, o telemóvel da mulher estava estranhamente desligado, quando a mulher do senhorio ligou para Cristina na tentativa de saber por que é que ela não tinha ido trabalhar.

Ligaram, então, para Joaquim, que alegou estar em Caíde de Rei, uma freguesia próxima, onde ele tinha família. Mas lá não tinha estado. Tudo isso leva a crer que Joaquim matou a mulher na sexta-feira passada e se tivesse suicidado dois dias depois, domingo. Por isso, ficou com o cadáver da mulher na cama durante 48 horas, antes de se suicidar.

Depois da chegada da GNR, o local foi isolado. Uma brigada dos Homicídios da Polícia Judiciária do Porto foi ao local examinar os corpos e recolher vestígios que poderão determinar a hora exata da morte de Cristina e Joaquim. Os cadáveres foram removidos, cerca das 23,30 horas, para o Instituto de Medicina Legal que funciona no hospital de Penafiel para serem autopsiados.